segunda-feira, 14 de maio de 2012

Títulos – Campeonato Brasileiro de 1990

Até 1990, o Corinthians nunca havia vencido um campeonato nacional. Em uma situação parecida com o que ocorreria posteriormente pela falta da Libertadores, quando o Timão era acusado de "não ter passaporte", o Corinthians pré-1990 era chamado de pelas más-línguas de "regional": era o maior vencedor do estado, com 20 títulos paulistas, e possuía quatro títulos do Rio-São Paulo, mas não conseguia vencer o Campeonato Brasileiro e nem a recém-criada Copa do Brasil. Nem mesmo os torneios nacionais extintos, como a Taça Brasil ou o Roberto Gomes Pedrosa, haviam sido conquistados pelo Corinthians. A situação já havia se tornado bastante incômoda.

O Timão até realizava boas campanhas no Brasileirão e já havia batido na trave em 1976, quando foi derrotado na final pelo Internacional. Mas título mesmo não vinha.

Naquele campeonato de 1990, nem mesmo a Fiel Torcida tinha muitas esperanças de que o Corinthians seria campeão. O time era bastante limitado, com jogadores que demonstravam muito empenho, mas pouca categoria. Craque mesmo, só um: o camisa 10, José Ferreira Neto, um dos maiores jogadores do Brasil na época. Mas mal sabíamos que a qualidade de Neto aliada à raça de jogadores como Wilson Mano, Tupãzinho e Ezequiel faria com que o nome Corinthians fosse, pela primeira vez, levado ao posto mais alto do futebol brasileiro.

Os 20 times participantes do campeonato foram divididos em dois grupos, mas apenas para efeito de classificação, pois todos jogariam contra todos: no primeiro turno, os clubes do Grupo A enfrentariam os do Grupo B; no segundo turno, os jogos seriam disputados contra os adversários do próprio grupo. Encerrada a primeira fase, oito equipes se classificariam para o mata-mata: os vencedores de cada grupo em cada etapa, mais outros quatro times que alcançassem maior pontuação na somatória geral.

Sorteado no Grupo A, o início do campeonato para o Corinthians foi um desastre: estreia com goleada sofrida contra o Grêmio por 3x0, em Porto Alegre, seguida de derrota em casa para o Cruzeiro por 1x0 e empate em 0x0 contra o Vitória, em Salvador. Foi só na quarta rodada, exatamente em um clássico contra o Palmeiras, que o Corinthians conseguiu marcar o seu primeiro golzinho na competição, com Neto, e também alcançar a sua primeira vitória, por 2x1. Triunfo pra dar moral na sequência do campeonato e ajudar o time a fechar o primeiro turno na segunda posição de seu grupo.

No segundo turno, o Corinthians voltou a oscilar. O time alternava bons e maus resultados e acabou vencendo apenas duas das nove partidas realizadas nessa etapa, concluindo sua participação apenas no nono lugar de seu grupo, ou seja, na penúltima posição. Para se ter ideia da fragilidade do futebol apresentado, o Timão conseguiu fazer mais de dois gols em uma partida e vencer por mais de um gol de diferença apenas uma vez em toda a competição, em um 3x1 sobre o Atlético-MG. Mesmo assim, o Corinthians chegou à última partida da primeira fase dependendo apenas de si para se classificar para as quartas – mas, incrivelmente, foi derrotado pelo já eliminado Internacional por 3x0 em pleno Pacaembu, vendo a classificação escapar de suas mãos. Porém, o ano era realmente do Corinthians: graças a uma combinação improvável de resultados envolvendo Santos, Vasco, Portuguesa e Goiás, o Timão se classificou mesmo com a derrota e obteve a sétima das oito vagas.

Tendo como adversário das quartas de final o forte Atlético-MG, segundo melhor time da primeira fase e que por esse motivo levava a vantagem de jogar por dois empates e ainda decidir o confronto em casa, o Corinthians seguiu sua filosofia: se defender com solidez e apostar tudo em Neto lá na frente. Deu certo: no primeiro jogo, vitória no Pacaembu por 2x1, de virada e com dois gols de Neto em um intervalo de dez minutos já no finalzinho da partida; no jogo de volta, empate em 0x0 no Mineirão.

Nas semifinais, veio o Bahia, e a história se repetiu: 2x1 em casa, novamente de virada e com mais gols saindo dos pés de Neto (o primeiro, contra, após cobrança de escanteio do meia corinthiano, e o segundo, de falta), e 0x0 em Salvador.

Após 14 anos, chegávamos novamente à final do Brasileiro. Nosso adversário dessa vez seria o São Paulo, bastante superior tecnicamente. Mas o Timão não quis nem saber: no jogo de ida, em 13 de dezembro, abrimos o placar logo aos 4 minutos de jogo, com Wilson Mano, após falta cobrada por Neto, sempre ele... Na segunda partida, dia 16 de dezembro, um empate já bastava para dar ao Timão o seu primeiro título brasileiro, mas o iluminado Tupãzinho, em uma jogada de pura raça, fez de carrinho o gol da conquista: 1x0, e o Morumbi virou nosso salão de festas, como de costume.

Assim como já havia acontecido com a quebra do jejum em 1977, o torcedor corinthiano conseguiu tirar o grito de campeão que há tantos anos estava entalado na garganta. E como a gente sabe muito bem, quanto mais sofrido e demorado, mais saboroso. E mais Corinthians.


Time-Base: Ronaldo; Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano e Neto (Ezequiel); Fabinho, Tupãzinho e Mauro (Paulo Sérgio). Técnico: Nelsinho Baptista.

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