quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Títulos – Mundial de Clubes da Fifa de 2000

Embora o Mundial de Clubes da Fifa seja a maior honra que uma equipe pode conquistar, a edição de 2000 do torneio, vencida pelo Corinthians, é o título mais polêmico da história do clube. Isso porque o Corinthians é o único time na história a vencer o Mundial sem ter antes conquistado o torneio continental – no caso, a Libertadores.

Vamos entender essa situação.

No final da década de 1990, foi aprovada pela Fifa a ideia de realizar um torneio que realmente pudesse ser chamado de Mundial, ou seja, que envolvesse todos os continentes, e não apenas a Europa e a América do Sul, como acontecia na Copa Intercontinental (também conhecida como Mundial Interclubes ou Taça Toyota). Surgiu assim o Campeonato Mundial de Clubes, cuja primeira edição seria disputada no Brasil, e foi estabelecido que o último clube campeão brasileiro – no caso, o Corinthians – também participaria do torneio, como representante do país-sede.

Assim, tendo nossa vaga conquistada por direito (e não como clube convidado, como os "anti" adoram falar), partimos para a disputa do primeiro torneio mundial com o carimbo da Fifa, marcado para janeiro de 2000. Eram oito os participantes, divididos em dois grupos. Nós fomos sorteados no Grupo A e teríamos como adversários na primeira fase o Raja Casablanca, do Marrocos (campeão da Liga dos Campeões da CAF de 1999), o Al-Nassr, da Arábia Saudita (campeão da Supercopa da AFC de 1998), e o Real Madrid, da Espanha (campeão da Copa Intercontinental de 1998). O Grupo B contava com o Vasco da Gama (campeão da Libertadores de 1998), o Manchester United, da Inglaterra (campeão da Liga dos Campeões da Uefa de 1998-99), o Necaxa, do México (campeão da Liga dos Campeões da Concacaf de 1998-99), e o South Melbourne, da Austrália (campeão da Liga dos Campeões da OFC de 1998-99).

Esta é outra polêmica envolvendo a competição: os critérios utilizados pela Fifa na escolha dos participantes. Alguns times (Vasco, Al-Nassr e Real Madrid) não eram os campeões da última edição dos torneios que lhes deram as vagas, e sim da penúltima. O Vasco, inclusive, acabou substituindo o Palmeiras, campeão da Libertadores de 1999, por questões políticas, já que era interessante para a Fifa que uma equipe de cada cidade-sede (São Paulo e Rio de Janeiro) participassem da disputa. Ao Palmeiras foi prometida a participação em uma futura edição do Mundial, programada para 2001 e jamais realizada.

O próprio Corinthians foi convidado por ser o campeão brasileiro de 1998, e não de 1999, com a justificativa por parte da Fifa de que não haveria tempo para convidar o campeão brasileiro de 1999, conhecido em dezembro daquele ano, para disputar o Mundial apenas um mês depois. Mas, felizmente, o Corinthians foi o campeão brasileiro também em 1999, o que eliminou pelo menos uma das diversas polêmicas referentes à organização do torneio.

Outra reclamação dos rivais se refere ao fato de os times europeus (Real Madrid e Manchester United) teoricamente não terem demonstrado muito interesse no torneio, tendo inclusive enviado equipes mistas ao Brasil. Esta é uma meia verdade: embora o Manchester tenha deixado de lado a disputa da Copa da Inglaterra para se dedicar ao Mundial e o presidente da equipe inglesa ter declarado buscar a honra de ser o primeiro campeão do mundo, as equipes europeias nunca deram muita bola para nenhuma disputa com equipes que não fossem do seu continente, tanto que também não costumavam valorizar a Copa Intercontinental, por exemplo. Há também quem cite a declaração do lateral-esquerdo Roberto Carlos, do Real Madrid, que se referiu ao torneio como "Mundialito", mas, como o próprio jogador explicou posteriormente, não se tratava de uma forma depreciativa, e sim de um diminutivo bastante usado na Espanha – aliás, usado também para se referir à Copa Intercontinental.

Também é comum ouvirmos que aquele ano teve dois campeões mundiais – afinal, ao contrário do que aconteceria a partir de 2005 (quando o Mundial da Fifa substituiu de vez a Copa Intercontinental, que deixou de existir), em 2000 realmente houve duas disputas: o torneio organizado pela Fifa, em que fomos os campeões, e a Copa Intercontinental, confronto anual entre os campeões da Libertadores e da Liga dos Campeões da Uefa, vencido pelo Boca Juniors. Quanto a isso, não há discussão: o mundial de verdade, com carimbo da Fifa, foi o nosso, doa a quem doer.

O fato é que nada disso era problema do Corinthians. Nosso time tinha que se preocupar em jogar bola e conquistar o título. E foi isso que aconteceu.


A campanha do Corinthians foi excelente: vitória por 2x0 sobre o Raja Casablanca, empate por 2x2 com o Real Madrid (jogo do histórico drible de Edílson entre as pernas de Karembeu), com direito a pênalti defendido pelo Dida, e nova vitória por 2x0, dessa vez sobre o Al-Nassr. Apenas o primeiro colocado de cada grupo avançaria, e conseguimos a vaga no saldo de gols, deixando o Real Madrid para trás graças a mais uma polêmica: o gol de Fábio Luciano na primeira partida, lance validado pelo juiz apesar de a bola não ter ultrapassado a linha do gol (questão que os "anti" adoram mencionar, embora ignorem um gol legítimo do Corinthians invalidado equivocadamente contra o Real Madrid que eliminaria os espanhóis não no saldo, mas por pontos).

Faríamos a grande final contra o Vasco, no Maracanã, no dia 14 de janeiro de 2000. Transmitido na TV aberta do Brasil apenas pela Band, o confronto bateria recordes de audiência: chegou a registrar 53 pontos, o mais alto índice jamais alcançado pela emissora. Quem assistiu viu uma partida equilibrada, em que o 0x0 insistiu em não sair do placar nem mesmo após a prorrogação.

Assim, o primeiro clube oficialmente campeão do mundo seria conhecido nos pênaltis. Rincón, Romário, Fernando Baiano, Alex Oliveira e Luizão acertaram suas cobranças. Dida defendeu o chute de Gilberto, e Edu fez 4-2 Corinthians. Se Viola perdesse, o Corinthians já seria campeão, mas ele marcou contra seu ex-clube. O próximo batedor seria Marcelinho, e o título estava nos pés do maior ídolo corinthiano, mas ele surpreendentemente chutou para fora. O último pênalti do Vasco seria cobrado por Edmundo, que nos tempos de jogador do Palmeiras havia sido um grande carrasco do Corinthians. Ele tinha a chance de empatar a série e levar a disputa para as cobranças alternadas, mas chutou para fora, rente à trave direita de Dida.

E o mundo era do Corinthians.


Time-base: Dida; Índio (Daniel), Adílson (João Carlos), Fábio Luciano e Kléber; Vampeta (Gilmar), Rincón, Ricardinho (Edu) e Marcelinho Carioca (Marcos Senna); Edílson (Fernando Baiano) e Luizão (Dinei). Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Campeões:

1 - Dida
2 - Índio
3 - Adílson
4 - João Carlos
5 - Vampeta
6 - Kléber
7 - Marcelinho
8 - Rincón
9 - Luizão
10 - Edílson
11 - Ricardinho
12 - Maurício
13 - Daniel
14 - Márcio Costa
15 - Yamada
16 - Fábio Luciano
17 - Fernando Baiano
18 - Dinei
19 - Augusto
20 - Edu
21 - Marcos Senna
22 - Luis Mário
23 - Gilmar
Técnico - Oswaldo de Oliveira

Observação:
Edílson, o "Capetinha", levou a Bola de Ouro Adidas como o melhor jogador do torneio.

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