quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Títulos – Mundial de Clubes da FIFA de 2012


Em 2000, o Corinthians foi campeão do primeiro Mundial de Clubes organizado pela FIFA. Como todos nós sabemos, o torneio foi disputado no Brasil, e o Corinthians obteve sua vaga como representante do país-sede, pois era o campeão brasileiro na época. Apesar da grande glória da conquista e por mais que o Corinthians não tenha a menor culpa em relação aos critérios adotados pela FIFA na organização do torneio, muitos consideram que seja um título "com asterisco", pois pela primeira (e até hoje única) vez um time foi coroado campeão mundial sem ter antes conquistado um título continental. Há, inclusive, quem diga que "para ser campeão do mundo é preciso atravessá-lo".

Pois bem. O Corinthians esperou pacientemente a sua chance de conquistar a América e voltar a disputar o Mundial, o que ocorreu no dia 4 de julho de 2012, quando conseguimos o título inédito da tão sonhada Taça Libertadores. Com isso, foi garantindo o direito do clube de disputar o Mundial e tentar colocar o seu nome no topo do mundo novamente – só que do outro lado do planeta, no Japão. Dessa vez, buscando um título incontestável.

Antes do embarque para o Mundial, todos já tinham a certeza de que a torcida invadiria o Japão. Na noite da despedida, em 3 de dezembro, cerca de 15 mil torcedores tomaram o aeroporto de Guarulhos para dar adeus à equipe e desejar sorte aos guerreiros corinthianos. O número de torcedores que embarcaria ao Japão também seria assustador: pela primeira vez a Fifa precisou abrir lotes extras de ingressos, tamanha era a procura por parte dos torcedores do Timão. Assim como já havíamos feito no Rio de Janeiro em 1976 e em 2000, em Buenos Aires em julho de 2012 e em tantas outras ocasiões ao longo de nossa história, uma nova invasão estava pra acontecer no Japão. Aos gritos de "Vai, Corinthians!", as cidades de Toyota e Yokohama foram tomadas por bandos de loucos, milhares de torcedores apaixonados.

De acordo com o regulamento do torneio, o campeão sul-americano e o europeu se classificavam automaticamente para as semifinais, cada um em um lado da chave, enquanto os demais participantes se enfrentavam nas fases preliminares. Assim, chegamos ao Mundial sabendo que enfrentaríamos o Sanfrecce Hiroshima, do Japão (campeão japonês de 2012 e representante do país-sede), o Auckland City, da Nova Zelândia (campeão da Liga dos Campeões da OFC de 2011-12), ou o Al-Ahly, do Egito (campeão da Liga dos Campeões da CAF de 2012), nas semifinais, e que caso avançássemos às finais, enfrentaríamos o Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul (campeão da Liga dos Campeões da AFC de 2012), o temido Monterrey, do México (campeão da Liga dos Campeões da Concacaf de 2011-12), ou o poderoso Chelsea, da Inglaterra (campeão da Liga dos Campeões da Uefa de 2011-12). Mas o duelo que todos projetavam na finalíssima era mesmo Corinthians x Chelsea. Com isso, milhares de camisas do time inglês foram compradas pelos "anti" ao longo do semestre. E, como sempre, tanta torcida contra nosso time só nos daria ainda mais força.

Estreamos no torneio em 12/12/12, contra o Al-Ahly, a equipe mais tradicional e vencedora do continente africano, que tinha como motivação honrar seus torcedores mortos na Tragédia de Port Said (em fevereiro de 2012, jogadores e torcedores do Al-Ahly foram atacados pela torcida do Al-Masry em uma partida do campeonato local, com um saldo de 73 mortos e mil feridos). Mesmo assim, o time egípcio era muito limitado tecnicamente, e logo fizemos 1x0, com um gol de cabeça de Guerrero. Mal sabíamos que o predestinado atacante peruano, que quase foi cortado do Mundial por contusão, seria o herói daquela partida e também da final... Como se esperava, o estádio da cidade de Toyota estava tomado pelos torcedores do Corinthians, e os jogadores se sentiram em pleno Pacaembu. Só que o nosso desempenho foi de um nível bem abaixo do esperado. A equipe africana cresceu no jogo e passamos o maior sufoco, especialmente no segundo tempo, e avançamos para a final com essa vitória magra, esperando por uma atuação melhor contra o Chelsea, que no dia seguinte se classificaria para a decisão derrotando o Monterrey por 3x1 de modo mais que convincente.

Na finalíssima, dia 16, o Brasil acordou cedo em pleno domingo para assistir o jogo mais importante da história do Timão. O palco era o estádio de Yokohama, onde 10 anos antes a Seleção Brasileira havia se sagrado pentacampeã do mundo. Só que, dessa vez, a arquibancada não era verde e amarela, e sim preta e branca. Poucos eram os torcedores do Chelsea, mesmo tendo o reforço de alguns japoneses simpatizantes do futebol europeu, e a Fiel Torcida, mais uma vez, transformou o estádio japonês em uma filial do Pacaembu. Eram 30 mil torcedores corinthianos que atravessaram o mundo para torcer para seu time. Nunca havia se visto nada igual na história do torneio.

A equipe inglesa quis botar pressão, mas desde os primeiros minutos o Timão mostrou que estava em campo pra vencer. Com a marcação adiantada, o Corinthians sufocava cada tentativa de saída de bola do Chelsea, que não conseguia entrar no jogo. Mesmo assim, a primeira chance clara de gol foi deles, quando Cahill chutou à queima-roupa e Cássio fez uma defesa excepcional, caindo exatamente em cima da bola. Era um sinal: nenhuma bola iria passar por ele naquela decisão. O gigante goleiro corinthiano ainda faria defesas espetaculares no primeiro tempo, especialmente em um chute de Moses, no qual teve que saltar de mão trocada e espalmar a bola para escanteio.

Na segunda etapa o Corinthians voltou ainda melhor e deu um nó tático nos adversários. Nosso gol era questão de tempo, e ele veio em uma jogada pelo lado direito. Em um lindo toque, Paulinho chama Jorge Henrique, que devolve de cabeça; Paulinho, puxando a marcação e abrindo a zaga, faz a bola sobrar pra Danilo, que traz para o pé direito e chuta na saída do goleiro Cech. A bola explode na zaga e sobra limpa para Guerrero, que estufa as redes, colocando a bola no fundo do gol por cima de três zagueiros dos Blues. Gol de Guerrero, que entrou em campo no sacrifício e provou que tinha o sobrenome certo para jogar no Corinthians.

Depois foi só administrar a vitória – não sem antes passar por alguns sufocos: um chute à queima-roupa de Fernando Torres (defendido com os pés por Cássio, que seria eleito o melhor da partida e do torneio), um gol impedido do atacante espanhol (felizmente bem anulado pelo árbitro) e, no último lance da partida, um chute na trave de Mata. Tudo sofrido, como a gente gosta, até o apito final.

E o mundo, de novo, era do Corinthians.


A incômoda condição de campeão mundial como representante do país-sede se transformou na honra de ser o único clube do mundo campeão em casa e no Japão – se bem que o Japão tomado pelos corinthianos também virou nossa casa... Além disso, nossa vitória acabou com uma sequência de cinco anos consecutivos de títulos mundiais dos clubes europeus e nos tornou, junto com o Barcelona, a única equipe bi-campeã do mundo em torneios reconhecidos pela Fifa. Isso sem contar o mais importante: ganhamos jogando melhor, como time grande que somos, e não adotando uma postura covarde, como os sul-americanos costumam fazer quando enfrentam os europeus no Mundial. Taticamente, anulamos o Chelsea, em uma partida na qual Tite, que foi eleito o melhor treinador da competição, provou, mais uma vez, ser um dos maiores técnicos do mundo. O ciclo com o treinador foi impressionante: campeão brasileiro de 2011 com a melhor defesa, campeão da Libertadores 2012 com a melhor defesa e campeão mundial sem sofrer gols.

Tantas glórias em um espaço tão curto de tempo nos faz lembrar a frase de Andrés Sánchez logo após nosso rebaixamento, em 2007: "Aproveitem para rir de nós agora, porque depois não terão mais motivos". Sábias palavras. Após o título da Série B em 2008, faturamos o Paulistão e a Copa do Brasil em 2009, o Brasileirão em 2011 e a Libertadores e o Mundial em 2012.

Corinthians campeão do mundo. Dessa vez, sem asterisco.


Time-base: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Jorge Henrique (Douglas); Emerson e Guerrero. Técnico: Tite.

Os campeões:

1 - Júlio César
2 - Alessandro
3 - Chicão
4 - Wallace
5 - Ralf
6 - Fábio Santos
7 - Juan Martínez
8 - Paulinho
9 - Paolo Guerrero
10 - Douglas
11 - Emerson
12 - Cássio
13 - Paulo André
15 - Ânderson Polga
17 - Willian Arão
20 - Danilo
21 - Edenílson
22 - Danilo Fernandes
23 - Jorge Henrique
26 - Guilherme Andrade
28 - Felipe
29 - Giovanni
31 - Romarinho
Técnico - Tite

Observações:
Cássio ganhou a Bola de Ouro e Guerrero ganhou a Bola de Bronze, prêmios da FIFA para os melhores jogadores do torneio.
Cássio foi eleito o melhor jogador da final, ganhando um carro da Toyota como prêmio.
Tite foi eleito o melhor técnico da competição.

Para ver uma lista com todos os títulos da história do Corinthians, clique aqui.

Para acessar os posts sobre outros títulos da história do Corinthians, clique aqui.
                   

Nenhum comentário:

Postar um comentário