quarta-feira, 15 de julho de 2015

Títulos – Campeonato Paulista de 1922

Em 1922, com 12 anos de existência e tendo conquistado os Campeonatos Paulistas de 1914 e 1916, o Corinthians entrou em uma de suas fases mais vitoriosas e gloriosas. O terceiro caneco de sua história, o Campeonato Paulista de 1922, foi memorável não apenas pelo título em si, mas pelo fato de iniciar tanto o nosso primeiro tricampeonato estadual (1922-1923-1924) como o domínio corinthiano na década de 1920 (venceríamos nosso segundo tri em 1928-1929-1930), com a impressionante marca de seis Paulistas conquistados em nove disputados. Com o terceiro tri, em 1937-1938-1939, chegaríamos a números jamais superados, apenas igualados recentemente pelo Santos: um tri-tri.

Além disso, vencer o Paulista de 1922 iniciou outra tradição corinthiana: a de ser campeão dos torneios centenários. Em 1922 se comemorava o centenário da independência do Brasil, e futuramente venceríamos também os Paulistas de 1954, no IV centenário da fundação da cidade de São Paulo, e de 1988, no centenário da abolição da escravatura.

O torneio era disputado em dois turnos, mas apresentava uma pequena alteração em relação ao ano anterior: continuava sendo disputado em pontos corridos, mas agora, os quatro piores do primeiro turno não disputavam o segundo. Assim, no primeiro, as 12 equipes se enfrentariam no sistema de todos contra todos; após 11 rodadas, as oito melhores avançariam para o segundo turno e se enfrentariam novamente, com os mandos de campo invertidos em relação ao primeiro turno. Quem tivesse menos pontos perdidos nas duas fases somadas seria o campeão.

Apesar de termos em campo grandes jogadores do início de nossa história, como Neco, Tatu, Del Debbio e Gambarotta, e das goleadas que aplicamos nos adversários, como o 9x0 no Internacional e na Portuguesa, o 7x0 no São Bento e o 7x2 no Minas Gerais, não tivemos vida fácil na campanha de 1922.

Começamos muito bem, já que vencemos o primeiro turno da competição com nove vitórias e apenas um empate e uma derrota em 11 jogos, o que nos garantiu a posse do Troféu Doutor Otávio Egídio, que homenageava Octávio Egydio de Oliveira Carvalho, importante jogador da década de 1910 que atuava como zagueiro pela A. A. das Palmeiras e pela Seleção Brasileira.

Mas no final do segundo turno, quase vimos tudo ir por água abaixo após sofrermos uma derrota para o Palestra Itália, clube que rodada após rodada se mantinha na briga com o Corinthians pelo título. Após essa derrota, não adiantava apenas vencer nossos jogos para sermos campeões: era preciso também secar o rival, que nos ultrapassou na tabela. No entanto, após três vitórias corinthianas seguidas, incluindo um sofrido 1x0 sobre o Sírio, e com a ajuda do Paulistano, que goleou o Palestra por 5x1 na penúltima rodada do campeonato, voltamos a depender apenas das nossas forças, pois bastava ao Corinthians vencer o próprio Paulistano na última partida do torneio para conquistar a taça. E foi exatamente o que aconteceu.

A decisão se deu no começo do ano seguinte, em 4 de fevereiro de 1923, pois o campeonato acabou se estendendo, já que sofreu paralisações devido à disputa do Campeonato Brasileiro, do Sul-Americano e de diversos amistosos internacionais. O líder Corinthians tinha seis pontos perdidos (na época, a classificação era feita pela soma dos pontos perdidos, e não dos pontos ganhos, como ocorre atualmente), um a menos que o Palestra Itália. Caso empatasse, ficaria com o mesmo número de pontos perdidos do Palestra, o que forçaria um jogo extra, e caso perdesse, o Palestra seria o campeão. Era exatamente a mesma situação que tínhamos vivido na temporada anterior, quando perdemos o título na última partida.

Só a vitória interessava ao Corinthians naquela partida, disputada no campo da Floresta. E ela veio graças aos gols de Tatu e Gambarotta, que deram ao Corinthians o resultado favorável por 2x0, a Taça Cidade de São Paulo, oferecida pelo prefeito Firmiano Pinto ao vencedor do torneio, e o título de campeão do centenário da independência.

Ainda tivemos o artilheiro da competição: Gambarotta, com 19 gols.


Time-base: Mário; Rafael (Nando) e Del Debbio (Garcia); Gelindo, Amílcar e Ciasca; Peres, Neco, Gambarotta, Tatu e Rodrigues. Técnico: Guido Giacominelli.

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