quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Títulos – Copa do Brasil de 2002

O título mais importante conquistado pelo Corinthians em 2002 – ano em que também vencemos o Rio-São Paulo e fomos vice-campeões do Brasileirão – foi a Copa do Brasil.

Na época, nosso time não tinha muitas estrelas. Talvez seus jogadores mais consagrados fossem Dida, Ricardinho e Vampeta, que conquistariam o pentacampeonato pela Seleção Brasileira naquele mesmo ano. No entanto, a chegada do técnico Carlos Alberto Parreira deu padrão de jogo à equipe, que passou a apresentar um futebol moderno, que valorizava a posse de bola e tinha como principal arma a troca precisa de passes, armando as jogadas pacientemente, à espera do momento certo. Esse elogiado estilo de jogo acabou revelando aquele que foi chamado pelo próprio Parreira de "o melhor lado esquerdo do mundo", com o lateral Kléber, o meia Ricardinho e o atacante Gil, jogadores de ótimo nível técnico, que apresentavam um entrosamento perfeito e infernizavam as defesas adversárias. Nada mais justo que essa ótima equipe fosse coroada com um título nacional – e, de quebra, uma vaga na Libertadores do ano seguinte.

O regulamento da Copa do Brasil de 2002 já seguia os padrões atuais: em partidas eliminatórias de ida e volta, as equipes participantes se enfrentariam no sistema de mata-mata até a final, quando se conhece o campeão.

O Timão já estreou na competição com o pé direito: vencemos fora de casa o River, do Piauí, por 2x1. Conforme previa o regulamento, nas duas primeiras fases, uma vitória do visitante por dois ou mais gols de diferença eliminaria a partida de volta. Como vencemos por apenas um gol de diferença, foi necessário outro jogo, no Pacaembu, que também vencemos, por 2x0.

Na segunda fase, nosso adversário foi o Americano, do Rio de Janeiro, e dessa vez não houve surpresas: goleamos por 6x2. Assim, nem foi necessária a partida de volta.

Aí o campeonato começou a engrossar. Nas oitavas de final, teríamos pela frente o Cruzeiro, e, pior: decidindo fora de casa. Na primeira partida, disputada no Pacaembu, uma vitória parcial por 2x0 parecia indicar que a lição de casa vinha sendo feita, mas o Cruzeiro correu atrás do empate em 2x2, com dois gols em oito minutos. O jeito foi decidir no Mineirão, e, surpreendentemente para quem joga fora de casa, o Corinthians passou o trator: em 14 minutos, entre os 15 e os 29 do segundo tempo, fez três gols. No finalzinho da partida, precisando de quatro gols, o Cruzeiro resolveu acordar, marcando uma vez aos 41 e outra aos 44, mas tudo ficou mesmo no 3x2, e avançamos.

Nas quartas, pegaríamos o Paraná Clube. Vencemos a primeira, em casa, por 3x1, vantagem que dava a falsa impressão de tranquilidade rumo à semifinal. Só que na segunda partida o Paraná abriu o placar e passou a precisar de apenas um golzinho para nos eliminar, graças ao seu gol marcado em São Paulo. Apesar do susto, o jogo acabou 1x0, o suficiente para avançarmos mais uma vez.

A semifinal do torneio foi mais um capítulo da rivalidade extrema entre Corinthians e São Paulo que vinha se intensificando na época devido a diversos confrontos decisivos que vinham acontecendo entre as duas equipes desde o final dos anos 90. No primeiro jogo, disputado no Morumbi, vitória corinthiana por 2x0. Mas, antes do jogo de volta, um tempero: foram disputadas também as semifinais do Torneio Rio-São Paulo, quando o Corinthians eliminou o Santos e o São Paulo passou pelo Palmeiras, ou seja, foi decidido que a final daquele campeonato seria entre Corinthians e São Paulo, o que fez com que as equipes viessem para a partida de volta da Copa do Brasil sabendo que se enfrentariam novamente na decisão de outro torneio poucos dias depois. Em partida também disputada no Morumbi, mas com mando de campo corinthiano, não teve jeito para o São Paulo: perdemos por 2x1, mas com o 3x2 no resultado agregado, avançamos pelo saldo de gols.

O curioso é que as semifinais foram disputadas em 24 de abril e 1º de maio, e nos dias 5 e 12 de maio enfrentaríamos os rivais novamente na final do Rio-São Paulo. Isso quer dizer que em menos de 20 dias foram disputados quatro jogos decisivos entre Corinthians e São Paulo. E não é que, como já estamos acostumados, levamos a melhor sobre o rival nos dois campeonatos?

Pela terceira vez – e segunda consecutiva – o Corinthians estava classificado para uma final da Copa do Brasil. A disputa trazia uma surpresa: nosso adversário seria o Brasiliense, até aquele momento um verdadeiro desconhecido no futebol nacional e que não possuía nem dois anos de existência, mas que para chegar à decisão havia eliminado equipes tradicionais como Atlético-MG e Fluminense. Vencemos a partida de ida, em 8 de maio, no Morumbi, por 2x1, mas como costuma acontecer quando o adversário é o Corinthians, não faltou reclamação em relação à arbitragem: desta vez, a alegação do Brasiliense era de que Carlos Eugênio Simon deveria ter assinalado uma falta na jogada que originou o segundo gol corinthiano e que não foi marcado um pênalti a favor da equipe do Distrito Federal. Na partida de volta, no dia 15 de maio, o Corinthians jogava pelo empate, mas viu o Brasiliense abrir o placar no final da primeira etapa. O jeito era correr atrás de pelos menos um golzinho, que veio aos 20 minutos do segundo tempo, e segurar o 1x1 até o apito final. Deu certo: o empate deu ao Corinthians a segunda Copa do Brasil de sua história e sua segunda festa na semana, apenas três dias após o título do Rio-São Paulo.

Com 13 gols, o artilheiro foi Deivid, até hoje o único jogador do Corinthians a conseguir ser o marcador máximo em um campeonato nacional. Sempre decisivo, Deivid fez mais da metade dos gols do time na competição (13 de 25), incluindo o primeiro e o último gol da campanha. Ele deixou a sua marca pelo menos uma vez contra cada adversário e fez, inclusive, todos os gols corinthianos nas semifinais e nas finais. Seus 13 gols foram recorde em uma mesma edição da Copa do Brasil até que Fred, do Cruzeiro, superasse esses números ao balançar as redes adversárias 14 vezes em 2005.


Time-base: Dida; Rogério, Fábio Luciano, Ânderson e Kléber; Fabrício (Fabinho), Vampeta e Ricardinho; Leandro (Renato), Deivid e Gil. Técnico: Carlos Alberto Parreira.

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