sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Títulos – Campeonato Paulista de 1979

Passado o trauma dos 23 anos sem títulos com a conquista do Paulista de 1977, a esperança do torcedor corinthiano era retornar ao seu passado de glórias, já que o peso carregado nos ombros daquele momento em diante seria muito menor. E realmente não demorou muito para que a gente voltasse a ser campeão: em 1979, apenas dois anos após o fim da maldição, o Corinthians voltaria a conquistar um título paulista.

Nosso time contava com os já consagrados Zé Maria, Wladimir, Vaguinho e Palhinha, remanescentes do título de 1977, e também com os reforços de dois dos maiores ídolos da galeria corinthiana em todos os tempos: Biro-Biro, Deus da Raça alvinegro, e Sócrates, gênio da história do futebol brasileiro, que faziam parte do elenco desde 1978. 

O Doutor, que nessa época jogava com a camisa 9, e não com a 8, que o consagrou, formava com Palhinha, o camisa 10, uma dupla inesquecível, responsável por grande parte das jogadas ofensivas e dos gols marcados pela equipe no período em que jogaram juntos. Outra dupla eficiente do Timão nessa época foi Píter e Geraldão. No Paulista de 1979, cada dupla marcou 19 gols, ou seja, os quatro jogadores juntos marcaram 38 dos 58 gols do Corinthians naquela edição do torneio.

O longuíssimo, quase interminavel campeonato tinha como formato duas fases de grupos mais fase final em mata-matas.

Na primeira fase, os 20 times participantes foram divididos em quatro grupos, mas essa divisão foi feita apenas para efeito de classificação, pois cada equipe não enfrentava apenas os adversários de seu próprio grupo, e sim todas as outras 19, em turno e returno. Ao fim de 38 rodadas, o regulamento previa que os três primeiros colocados de cada grupo avançariam para a segunda fase. 

Nessa etapa, nenhum susto. O Corinthians liderou o Grupo A, inclusive fazendo uma das melhores campanhas dentre todos os participantes, e se classificou com folgas. Mas o destaque da competição era o time do Palmeiras, treinado por Telê Santana, que tinha a melhor campanha geral e vinha sendo apontado como o grande favorito ao título. 

Na segunda fase, o sistema era outro: os 12 times classificados foram divididos em dois grupos, e cada equipe enfrentaria apenas aquelas de seu próprio grupo, em turno único, com as duas melhores de cada grupo se classificando para as semifinais. 

Foi aí que ocorreu uma das maiores polêmicas da história do Paulistão, quando o folclórico presidente corinthiano Vicente Matheus ordenou que o Corinthians não entrasse em campo contra a Ponte Preta pela segunda rodada dessa fase em partida válida para o Grupo E. Isso se deu porque a Federação Paulista marcou uma rodada dupla no Morumbi para o mesmo dia – a partida entre Corinthians e Ponte e também um Palmeiras e Guarani –, e Matheus não queria que o Corinthians, que na época já possuía mais torcida que os outros três times juntos, dividisse a renda com os demais. A Ponte Preta não abriu mão dos pontos pela vitória por W.O., ainda que a Federação Paulista tivesse garantido à equipe campineira uma renda de cinco milhões de cruzeiros caso fosse realizada uma nova partida, e a questão acabou indo parar na justiça. 

No fim das contas, o Corinthians terminou essa fase no segundo lugar de seu grupo, atrás exatamente da Ponte Preta, e teria como adversário na semifinal o favorito Palmeiras, que havia assegurado a primeira posição no outro grupo. Só que a demora nos tribunais foi tanta que as semifinais acabaram atrasando e foram marcadas apenas para o finzinho de janeiro do ano seguinte. Há quem diga que essa foi uma estratégia de Vicente Matheus para dar uma esfriada no Palmeiras, que vinha voando em campo. Verdade ou não, o fato é que funcionou.

Foi um confronto duríssimo. No jogo de ida, tudo igual: empate em 1x1, com Palhinha evitando a nossa derrota com um gol aos 40 do segundo tempo. Na volta, precisávamos da vitória, já que a melhor campanha do Palmeiras credenciava o alviverde a jogar por dois empates, mas um gol de canela de Biro-Biro nos deu a vitória, colocando o Timão na final do Paulista mais uma vez. Enquanto isso, a Ponte Preta eliminava o Guarani com duas vitórias e se qualificava para nos enfrentar naquela que seria a reedição da final de 1977. Mas embora a a Ponte tivesse um timaço, não houve espaço para a revanche da equipe campineira.

Foi apertado, pois foram necessários três jogos, todos disputados no Morumbi, para que se conhecesse o campeão. Na primeira partida da final, em 3 de fevereiro de 1980, o Corinthians saiu na frente, vencendo por 1x0, gol de Palhinha. Uma imagem dessa vitória entrou para a história: a raça de Zé Maria, que insistiu em permanecer em campo apesar de ter sofrido um ferimento no supercílio, mesmo com sua camisa encharcada de sangue. No segundo jogo, no dia 6, bastava uma simples vitória corinthiana para colocarmos a mão na taça, mas o 0x0 não se moveu no placar e acabou forçando um jogo extra. Só no terceiro e decisivo confronto, realizado em 10 de fevereiro, a história se resolveu. Sócrates e Palhinha brilharam mais uma vez, e, com um gol de cada craque no segundo tempo, o Timão ganhou o jogo por 2x0 e levantou a taça de campeão paulista pela 17ª vez.


Time-base: Jairo (Solito); Zé Maria (Luis Cláudio), Mauro (Zé Eduardo), Amaral e Wladimir; Caçapava, Biro-Biro (Basílio) e Palhinha; Píter (Vaguinho), Sócrates (Geraldão) e Romeu (Wilsinho). Técnico: Jorge Vieira.

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