terça-feira, 29 de março de 2016

Títulos – Campeonato Brasileiro de 2011

Parecia que o ano de 2011 seria um desastre. Logo no início da temporada, passamos pela terrível eliminação contra o desconhecido Tolima, da Colômbia, ainda na pré-Libertadores, resultado que custou a cabeça de Ronaldo e Roberto Carlos, os medalhões da equipe. Tudo indicava que custaria também a do técnico Tite, mas surpreendentemente, em uma postura que não se costuma ver no futebol brasileiro, o treinador foi bancado pelo presidente Andrés Sanchez, que dizia confiar no trabalho que vinha sendo feito.

Com toda essa confiança, os resultados começaram a aparecer. O desacreditado time chegou à final do Paulista, na qual foi derrotado pelo Santos, e estreou no Brasileirão correndo por fora, já que não era apontado como favorito por nenhum dos "entendidos" em futebol da mídia esportiva.

O time não era de craques e não possuía nenhum jogador brilhante, mas tinha comprometimento, era unido e demonstrava muita força de vontade. Não precisava de mais nada: somando tudo isso à capacidade de Tite de montar um time taticamente sólido, com uma defesa forte e que dificilmente levava gols, o Corinthians começou, degrau a degrau, a sua escalada rumo não apenas ao pentacampeonato brasileiro, mas também à conquista da vaga para o sonho da Libertadores, que finalmente se tornaria uma realidade na temporada seguinte.

O campeonato era disputado em pontos corridos, com os 20 participantes se enfrentando em turno e returno ao longo de 38 rodadas.

Logo na estreia, o desafio não poderia ser maior: confronto duríssimo fora de casa contra o Grêmio, adversário sempre complicado para o Timão. Mas mesmo saindo atrás no placar, conseguimos a virada em 2x1, com gols de Liédson e Chicão. Foi um começo com o pé direito, o primeiro de muitos resultados positivos que conseguiríamos na competição: o Corinthians chegou a absurdos 93% de aproveitamento nas 10 primeiras rodadas, com nove vitórias e um empate, sendo sete dessas vitórias seguidas, no melhor início de um clube na história do Brasileirão em pontos corridos. Chegamos, inclusive, a abrir seis pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Nesse período, conseguimos um resultado histórico: um humilhante 5x0 sobre o São Paulo, com três gols de Liédson, um de Danilo (carrasco tricolor) e outro de Jorge Henrique – este, em um frangaço homérico de Rogério Ceni. Outra partida marcante foi a vitória fora de casa contra o Botafogo, na qual o goleiro Júlio César, símbolo da raça alvinegra naquele campeonato, se recusou a sair de campo mesmo com uma fratura exposta em um dedo da mão esquerda. Sua justificativa? "Aqui é Corinthians”, conforme declarou em entrevista logo após o jogo.

No entanto, a partir do momento em que essa sequência invicta se quebrou – na 11ª rodada, em uma derrota em casa contra o Cruzeiro –, aconteceu um fenômeno inverso ao do início do campeonato: uma série de resultados negativos. Nos nove jogos que realizamos até o final do primeiro turno, somamos apenas nove dos 27 pontos que disputamos. Um horror. Mas graças a toda a gordura acumulada no início do campeonato e aos maus resultados dos nossos adversários diretos ao título, que também vinham tropeçando, conseguimos nos manter na ponta da tabela. Assim, levamos pra casa o título simbólico do primeiro turno e o Troféu Osmar Santos, oferecido pelo jornal Lance!.

No segundo turno, os maus resultados não paravam de acontecer. Pra piorar, o capitão Chicão foi afastado por deficiência técnica antes de um clássico contra o São Paulo e se recusou a ficar no banco, gerando um mal estar entre o elenco. Devido a essa indisciplina, por várias rodadas nem no banco Chicão ficou. Quando retornou, perdeu a titularidade – que só recuperaria no segundo semestre de 2012, com a saída de Leandro Castán – e, consequentemente, a braçadeira de capitão.

Com a crise batendo na porta, não teve como se segurar na primeira colocação: na 24ª rodada, perdemos a liderança, que foi assumida pelo Vasco, e na rodada seguinte chegamos a cair para a quarta posição. Recuperamos a liderança novamente na 28ª rodada, mas essa situação durou apenas até a 31ª, quando o Vasco nos passou outra vez. Essa dança das cadeiras no topo da tabela persistiu até a 32ª rodada, quando reassumimos a ponta, dessa vez em definitivo. Mas foi sempre no aperto: nossa liderança era dividida com o Vasco, e só tínhamos a vantagem graças ao critério de desempate, que era o número de vitórias (tínhamos uma a mais que a equipe carioca). Foi só na reta final do torneio, na 35ª rodada, que nos isolamos na liderança, com dois pontos de vantagem.

Em um campeonato disputado ponto a ponto, em que todo jogo parecia uma final, emoção não faltou nas três últimas rodadas.

Na 36ª, o Pacaembu lotado recebeu um Corinthians x Atlético-MG, e vimos o time visitante abrir o placar. Nosso empate, com Liédson, foi sair apenas aos 33 minutos do segundo tempo, mas o grande momento ainda estava por vir: aos 43 minutos, Adriano, o Imperador, que vinha fazendo um trabalho para a recuperação de sua forma física e raras vezes era visto em campo, veio do banco para fazer o gol da vitória, um golaço, após uma roubada de bola de Leandro Castán e um passe primoroso de Emerson Sheik, mantendo os tão importantes dois pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Na 37ª, após a vitória por 1x0 sobre o Figueirense, com mais um gol de Liédson, o Corinthians chegou a ter o gostinho de ser campeão, mas só por alguns minutos... Após o apito final, os jogadores do Corinthians colaram na frente da televisão, como verdadeiros torcedores, para acompanhar os últimos lances do clássico carioca entre Fluminense e Vasco, até então empatado em 1x1. Com o resultado, abríamos quatro pontos de vantagem na liderança faltando apenas três em disputa, o que nos daria a taça por antecipação, mas o valente time do Vasco marcou o gol da vitória aos 45 do segundo tempo, adiando a festa por mais uma semana.

Ficou tudo mesmo para a 38ª rodada, em 4 de dezembro, no Pacaembu, contra o Palmeiras. Mas nem tudo foi alegria. Naquela manhã de domingo faleceu um dos maiores jogadores da história corinthiana, Sócrates – logo ele, que havia afirmado anos antes que queria morrer num domingo com o Corinthians campeão –, e tínhamos um motivo a mais para ganhar o título: prestar uma última homenagem ao grande ídolo. Só dependíamos do nosso resultado para levantarmos a taça, e mesmo uma derrota corinthiana nos daria o título caso o Vasco não vencesse o Flamengo, mas não precisamos da ajuda de ninguém. Em um jogo muito emocionante – no qual jogadores e torcedores ergueram o punho fechado durante o minuto de silêncio, gesto imortalizado pelo Doutor ao longo de sua carreira – e também muito tenso, com direito até mesmo a "chute no vácuo" de Jorge Henrique para ironizar o adversário Valdívia, o 0x0 bastou pra levantarmos outro troféu. Corinthians campeão brasileiro, pela quinta vez.

Com 71 pontos e 62,3% de aproveitamento, é verdade que o Corinthians campeão de 2011 não fez uma campanha fantástica, mas o título foi mais que justo: nosso time foi o que mais tempo ficou no G4 (37 rodadas), o que mais tempo liderou a competição (27 rodadas), o que mais venceu (21 vitórias) e o que teve a melhor defesa (36 gols sofridos, média de 0,95 por partida). Conquista mais que merecida para uma equipe tão equilibrada.

Tivemos ainda a dupla de volantes Ralf e Paulinho eleita para a seleção do campeonato.


Time-base: Júlio César (Renan); Alessandro (Edenílson), Paulo André (Chicão), Leandro Castán (Wallace) e Fábio Santos (Ramon); Ralf, Paulinho (Ramírez) e Alex (Danilo); Jorge Henrique (Morais), Liédson e Émerson Sheik (Willian). Técnico: Tite.

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