quinta-feira, 24 de março de 2016

Títulos – Campeonato Paulista de 2003

Em 2003, confirmado o retorno de Carlos Alberto Parreira à Seleção Brasileira após uma curta, porém marcante passagem pelo Corinthians no ano anterior, foi necessário buscar um novo técnico para dar seguimento ao momento vitorioso que o clube atravessava. O eleito foi Geninho, que poucos meses após sua chegada já levaria a equipe a mais uma conquista: o Campeonato Paulista.

Na curtíssima primeira fase do torneio, as 21 equipes participantes foram divididas em três grupos, e cada uma enfrentava apenas os adversários de seu próprio grupo, em turno único. Oito times se classificariam para a fase seguinte: os dois primeiros de cada grupo e outros dois que fizessem as melhores campanhas dentre os demais. O Corinthians se classificou para o mata-mata como o segundo colocado do Grupo 3, atrás do São Caetano. A equipe do ABC Paulista, aliás, foi o único clube que conseguiu nos vencer em todo o campeonato: eterna asa negra corinthiana, o Azulão nos impôs uma derrota em pleno Pacaembu, por 3x0. De resto, foram quatro vitórias e um empate no grupo, o bastante para que avançássemos para a próxima fase.

Os confrontos nas quartas foram definidos por sorteio, e nosso adversário seria a grande surpresa da competição, o União Barbarense, que vinha fazendo uma excelente campanha, tendo inclusive conquistado a liderança do Grupo 1. Nessa fase, disputada em jogo único, quase a zebra deu as caras. O União Barbarense saiu na frente, e fomos buscar a virada com dois gols de cabeça, primeiro com Liédson e depois com Fábio Luciano. Vencemos, mas foi no sufoco.

Na semifinal, agora em partidas de ida e volta, tivemos pela frente um clássico contra o Palmeiras, com as equipes vivendo momento completamente distintos: enquanto o corinthians vinha de uma excelente temporada em 2002, com as conquistas da Copa do Brasil e do Rio-São Paulo, o Palmeiras se preparava para jogar a Série B do Brasileirão após o rebaixamento no ano anterior. Mas tudo isso fica em segundo plano quando se trata de um clássico. No primeiro jogo, o Palmeiras começou muito bem, abrindo 2x0 ainda no primeiro tempo. Tivemos que correr atrás do empate, com Anderson e Liédson, e o 2x2 deixava tudo para ser decidido no segundo jogo. E aí foi um passeio corinthiano: mesmo com o Corinthians jogando pelo empate, aos 15 minutos de partida já vencíamos por 3x0, com um gol de Liédson (aos nove minutos) e dois de Gil (aos 11 e aos 15); no fim do primeiro tempo, Rogério fez mais um, de pênalti, e o placar marcava impressionantes 4x1. No segundo tempo, colocamos o pé no freio e o Palmeiras até fez mais um golzinho, mas a lavada por 4x2 nos colocou em mais uma final de Paulistão, outra vez contra o São Paulo.

E aí veio a grande polêmica envolvendo o regulamento do campeonato. Donos de campanhas idênticas até então, Corinthians e São Paulo buscaram saber quem levaria vantagem em caso de dois resultados iguais e acabaram descobrindo que o mal-redigido regulamento permitia mais de uma interpretação. Originalmente, era previsto que, em caso de igualdade após as duas partidas da final, o desempate viria pelo critério disciplinar, ou seja, número de cartões vermelhos e, se necessário, de cartões amarelos, o que beneficiaria o Corinthians (que havia levado dois vermelhos na competição, contra três do São Paulo). No entanto, a Federação Paulista e seu presidente Eduardo José Farah resolveram ignorar isso, afirmando que deveriam prevalecer os critérios técnicos. Com o mesmo número de pontos (20) e de vitórias (6), o terceiro critério técnico seria o saldo de gols – e aí a vantagem seria do São Paulo: 17 contra 8 do Corinthians. O mais engraçado é que no Torneio Rio-São Paulo do ano anterior, cuja liga era presidida pelo mesmo Farah, os critérios disciplinares valeram, já que o São Paulo fez pior campanha que o Palmeiras, mas eliminou o rival na semifinal por ter recebido menor número de cartões amarelos. E depois ainda dizem que o Corinthians é beneficiado nos bastidores... Mas isso é outra história.

O que importa é que quando chegou a data da primeira partida da final, 16 de março, enquanto o São Paulo entrou em campo com o regulamento debaixo do braço, o Corinthians desde o primeiro minuto buscou resolver a parada dentro das quatro linhas, pra não deixar dúvidas da legitimidade do título que estava por vir. Em um jogo apertado, os gols foram saindo lá e cá: Rogério abriu o placar em uma cobrança de pênalti, mas o São Paulo empatou logo em seguida; Fábio Luciano fez 2x1, mas a equipe do Morumbi empatou novamente. Foi só no finalzinho, aos 40 do segundo tempo, que o jogo se decidiu: Gil manteve sua fama de carrasco são-paulino ao marcar o golaço da vitória por 3x2.

Para a finalíssima, disputada em 22 de março, o principal jogador são-paulino, Kaká, era desfalque por contusão. Mas o outrora ídolo corinthiano Ricardinho estava ali, desta vez para defender a camisa tricolor.

Só que antes da bola rolar, mais polêmica: o Corinthians já havia procurado o STJD para fazer valer o que está escrito no regulamento, mas a decisão poderia demorar até 15 dias para ser declarada. Por isso, se o São Paulo vencesse por um gol de diferença, ninguém poderia comemorar o título até que a questão fosse resolvida na Justiça.

Com tanta confusão nos bastidores, o Majestoso decisivo começou ainda mais tenso do que de costume. Logo aos dois minutos de jogo, estourou uma confusão generalizada, resolvida pelo juiz com uma expulsão pra cada lado, Kléber e Reinaldo, pra acalmar os ânimos – embora Luís Fabiano, que havia agredido Kléber, tenha permanecido em campo. Então, novamente, a solução encontrada pelo Corinthians foi esquecer o regulamento e simplesmente jogar bola. Com um gol de Liédson e outro de Jorge Wagner ainda no primeiro tempo, parecíamos ter colocado uma mão na taça, mas o São Paulo teve forças para empatar a partida e trazer de volta o fantasma de um campeonato decidido nos tribunais. Isso até Jorge Wagner, o herói da noite, marcar mais um, aos 43 minutos, e fechar a conta.

E a piada inevitável era a de que o São Paulo era o campeão, afinal, eles jogavam por dois resultados iguais e perderam as duas vezes por 3x2...

Os destaques foram o goleiro Doni, que embora fosse bastante criticado, fez uma partidaça nesse dia, Liédson, que oito anos depois voltaria ao Parque São Jorge para alçar voos ainda mais altos (seria campeão brasileiro em 2011 e da Libertadores em 2012) e Jorge Wagner, que anos mais tarde atuaria pelo próprio São Paulo.

Para completar a festa, a conquista proporcionou ao Corinthians a posse definitiva do Troféu Palácio dos Bandeirantes. Colocado em disputa desde o Paulista de 1990, o previsto era que o clube que vencesse a competição três vezes consecutivas ou cinco vezes alternadas ficaria com a sua posse para sempre. O Corinthians já havia levantado a taça em 1995, 1997, 1999 e 2001; o São Paulo, em 1991, 1992, 1998 e 2000. Portanto, a final de 2003 foi decisiva também por esse motivo.

Assim, com a nossa 25ª conquista estadual, comemoramos mais um título no Morumbi (nosso salão de festas) e impusemos a terceira derrota do São Paulo em jogos decisivos contra o Corinthians em menos de um ano, após a final do Rio-São Paulo e a semifinal da Copa do Brasil em 2002, aumentando a freguesia em níveis insuportáveis (insuportáveis para eles, é claro).


Time-base: Doni; Rogério, Anderson, Fábio Luciano e Kléber (Roger); Fabinho (Fabrício), Vampeta e Jorge Wagner (Renato); Leandro (Fumagalli), Liédson e Gil. Técnico: Geninho.

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