segunda-feira, 11 de julho de 2016

Títulos – Campeonato Paulista de 1988

Em 1988, após cinco anos sem vencer nenhum torneio, o Corinthians voltou a ser campeão. O título, mais uma vez, foi do Campeonato Paulista, o que ampliou ainda mais sua hegemonia no estado.

Na primeira fase do campeonato, os 22 clubes participantes foram divididos em dois grupos. No primeiro turno, as equipes do Grupo A enfrentariam as do Grupo B; no segundo turno, cada time jogaria contra os adversários de seu próprio grupo. Porém, na prática, os participantes eram mesmo 20. Explico: rebaixados no ano anterior, Ponte Preta e Bandeirante entraram na Justiça Comum para permanecerem na primeira divisão em 1988. Como forma de protesto, todas as demais equipes se recusaram a enfrentá-los – exceto o Corinthians, que por insistência do presidente Vicente Matheus acabou "boicotando o boicote" e entrando em campo contra ambos. Mas posteriormente a Justiça Desportiva derrubou a liminar da Justiça Comum, retirando as duas equipes do campeonato.

Já na estreia do Corinthians, sorteado no Grupo B, o compromisso seria um clássico contra o São Paulo. E nesse dia surgiu um novo ídolo corinthiano: o jovem Ronaldo, de apenas 20 anos, que na época era o terceiro goleiro e fazia apenas sua quarta partida como profissional, a primeira em torneios oficiais. Os dois outros jogadores da posição eram atletas consagrados que haviam sido os titulares da Seleção Brasileira nas duas Copas do Mundo anteriores: Valdir Peres, em 1982, e Carlos, em 1986. Com Valdir Peres dispensado e Carlos machucado, Ronaldo foi alçado à condição de titular nessa partida e se consagrou: defendeu um pênalti do ídolo são-paulino Darío Pereyra, o que garantiu a vitória corinthiana por 2x1.

Ronaldo, aliás, foi uma das tantas apostas nos pratas da casa que o Timão faria naquele campeonato, como o zagueiro Marcelo, o volante Márcio e os atacantes Marcos Roberto e Viola. Mas a equipe também contava com jogadores experientes, como o lateral Edson e os polivalentes Wilson Mano e Biro-Biro.

Na sequência do campeonato, jogando o feijão-com-arroz, o Timão foi somando os pontos necessários para se classificar para a próxima fase, ainda que desse uma tropeçada ou outra ao longo do caminho. É verdade que o time estava longe de praticar um futebol que enchesse os olhos do torcedor, mas foi eficiente, garantindo não apenas a primeira colocação de seu grupo, mas também a melhor campanha geral da primeira fase.

Aliás, o Corinthians deu uma grande demonstração de hombridade na última partida dessa fase, contra o América de São José do Rio Preto. De acordo com o regulamento, os quatro primeiros colocados de cada grupo garantiriam vaga para a segunda fase. Essas oito equipes seriam divididas em dois novos grupos, e dessa vez os confrontos seriam apenas entre as equipes do próprio grupo, em turno e returno. Fato é que o Corinthians foi enfrentar o América podendo escolher o grupo em que cairia na fase seguinte: caso perdesse, jogaria num grupo teoricamente mais fraco, com São José, Internacional de Limeira e XV de Jaú, mas se vencesse ou empatasse, teria a companhia de Palmeiras, Santos e São Paulo, ou seja, os outros clubes grandes do estado. Mas com o Corinthians não existe essa covardia de escolher adversário: arrancou um empate em 1x1 e foi em busca do título mesmo sabendo que teria um caminho mais difícil.

Nessa nova fase de grupos, apenas o primeiro colocado de cada chave seguiria vivo na competição. Jogando pelo Grupo B dessa fase, novamente fizemos uma campanha irregular, mas bastaram dois empates contra o São Paulo (2x2 e 1x1), outros dois empates contra o Palmeiras (ambos por 0x0) e duas vitórias contra o Santos (3x2 e 2x0) para que assegurássemos a primeira colocação e a vaga na final do campeonato. Mas não sem aquele sofrimento ao qual estamos acostumados: no dia 17 de julho, na última rodada do grupo, precisávamos vencer o Santos e torcer para que o São Paulo não derrotasse o Palmeiras. Fazíamos a nossa parte, vencendo por 2x0, mas a outra partida seguia 0x0. A tensão permaneceu até os 44 do segundo tempo, quando o Palmeiras marcou o gol que nos colocava na final. O Pacaembu explodiu de alegria, fato que ficou conhecido como Porcorinthians, entrando para a história como o dia em que a torcida corinthiana no Pacaembu comemorou um gol do Palmeiras.

Na final, teríamos pela frente o vencedor do outro grupo: a forte equipe do Guarani, que contava com ótimos jogadores como Evair, Boiadeiro e Ricardo Rocha – este, futuro campeão do mundo pela Seleção Brasileira na Copa de 1994 –, além do craque Neto, que posteriormente seria ídolo no próprio Corinthians.

Na partida de ida das finais, no dia 24 de julho, deu empate no Morumbi: 1x1, em uma partida marcada pelo golaço de bicicleta de Neto (quatro anos depois, a situação se inverteria: vestindo a camisa do Corinthians e tendo o Guarani como adversário, Neto faria outro gol de bicicleta tão bonito quanto aquele). O lateral Édson marcou e garantiu o empate para o Timão – resultado considerado ruim, pois seria necessário reverter o placar fora de casa contra uma equipe vista como favorita.

Na volta, em 31 de julho, novo empate: 0x0 após o tempo normal, o que forçou a prorrogação, na qual o Guarani jogaria pelo empate para ser campeão, pois havia realizado melhor campanha que o Corinthians na soma das duas fases anteriores. Mas aí brilhou a estrela do artilheiro Viola. Com 18 anos, o atacante nunca havia iniciado uma partida como titular, mas com a saída de Edmar para o futebol italiano e a lesão de Marcos Roberto, o treinador Jair Pereira teve que confiar no talento do garoto. Deu certo: aos cinco minutos da prorrogação, Wilson Mano chutou cruzado, mas pegou mal na bola; Viola, na raça, deu um carrinho e empurrou a bola para dentro do gol, pra fazer o 1x0 que garantia ao Corinthians o seu 20º título estadual.

Viola afirmou posteriormente que se sentia com a missão de fazer o gol do título, tanto que entrou em campo com duas camisas, pois sabia que na comemoração jogaria uma delas para a torcida. O gol ainda serviu para rebater todas as provocações que o jogador havia sofrido na véspera do jogo. O técnico bugrino chegou a tocar uma viola em um programa de televisão, enquanto um zagueiro da equipe de Campinas declarou que iria enfiar a viola no saco.

E o Corinthians, mais uma vez, se mostrou predestinado a ganhar títulos em anos de centenários, como já tinha acontecido em 1922 (Centenário da Independência) e em 1954 (IV Centenário de São Paulo). No ano do Centenário da Abolição dos Escravos, o fato foi ainda mais marcante, já que coube a Viola, o único negro da equipe, marcar o gol decisivo.

O único porém é o fato de que mais um título estadual, ao mesmo tempo em que aumentava a vantagem que o Corinthians levava na liderança de títulos paulistas, reforçava a incômoda fama de "time regional" que se atrelava cada vez mais ao clube. Mas seria questão de tempo: dois anos depois, o Timão alçaria voos mais altos e conquistaria seu primeiro título nacional.


Time-base: Ronaldo (Carlos); Édson, Marcelo Djian, Denílson e Dida (Aílton); Biro-Biro, Márcio (Paulinho Gaúcho) e João Paulo (Edmundo); Éverton (Wilson Mano), (Edmar) Viola e Paulinho Carioca. Técnico: Jair Pereira.

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