quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Títulos – Campeonato Brasileiro de 2015

O Corinthians começou o ano de 2015 voando. Com a volta de Tite e o estilo de jogo por ele implantado, que enchia os olhos do torcedor e ao mesmo tempo era eficiente, parecia que iríamos ganhar tudo naquela temporada. Mas de repente, o time simplesmente parou de funcionar e tudo começou a dar errado, o que acarretou nas eliminações contra "dois Guaranis": o da capital, que também atende pelo nome de Palmeiras (nas semifinais do Campeonato Paulista), e o do Paraguai (nas oitavas da Libertadores). Foi nesse clima de desconfiança que o Brasileirão começou. Mas assim como havia ocorrido em 2011, o vexame na Libertadores deu gás para que o Timão conquistasse mais um título nacional.

O sistema do campeonato era o mesmo das edições anteriores: 20 equipes se enfrentando em sistema de pontos corridos, em turno e returno.

A partida de estreia do Corinthians no Brasileirão, contra o Cruzeiro, aconteceu exatamente entre as duas partidas de oitavas de final da Libertadores. Havíamos perdido para o Guarani no Paraguai por 2x0 quatro dias antes e nossas chances de avançar na Liberta eram mínimas (três dias depois, a eliminação se confirmaria), mas mesmo assim fomos à Arena Pantanal poupando os titulares na estreia do torneio nacional pra arriscar tudo no continental. Contrariando todo o pessimismo, vencemos: 1x0, com gol de Romero, pra começar a jornada em busca do hexa com o pé direito.

Na partida seguinte, contra a Chapecoense, nova vitória, mas a sequência ruim que viria (empate contra o Fluminense, derrota em casa contra o Palmeiras e outra derrota contra o Grêmio) bastou para que muitos deixassem de acreditar no time. Com um futebol muito pobre, críticas não faltavam, especialmente ao centroavante Vágner Love, em má fase. Chegamos a ocupar a 11ª posição, o que fez com que muitos – mídia especializada, torcedores rivais e até mesmo corinthianos – afirmassem que "o Corinthians iria brigar pra não cair". Porém, conforme se veria a seguir, quem criticou jamais imaginou que pudesse se enganar tanto.

A recuperação foi acontecendo, e aos poucos o Timão foi somando pontos na captura do então líder Atlético-MG. Bons resultados foram sendo incluídos na conta, como um 3x0 contra o Flamengo em pleno Maracanã, pela 15ª rodada, e uma vitória em casa em jogo de seis pontos contra o próprio Atlético, na 16ª, o que nos colocou na liderança da competição, compartilhada com os mineiros.

Mas aí veio a choradeira com a qual já estamos acostumados. Na 17ª rodada, um erro de arbitragem a favor do Corinthians (pênalti não marcado em bola no braço de Uendel) no último lance de um clássico contra o São Paulo garantiu o empate em 1x1; já na rodada seguinte, contra o Sport, em um lance semelhante, não foi usado o mesmo critério, e o pênalti para o Corinthians foi confirmado, o que trouxe à tona o patético argumento de que "só marcam quando é a favor do Corinthians". Enquanto isso, nas mesmas rodadas, o Atlético foi derrotado por Grêmio e Chapecoense também com erros de arbitragem. Foram lances normais, que acontecem em qualquer campeonato e com qualquer equipe – inclusive, erros em lances capitais haviam beneficiado o Atlético e prejudicado o Corinthians mais de uma vez no início do campeonato –, mas todos sabemos que quando são a favor do Corinthians, sempre ganham proporções exageradas e geram revoltas descabidas nos torcedores rivais. Enquanto os conspirólogos já vinham com a absurda ideia de que a arbitragem estava minando o Atlético até que o Corinthians assumisse a liderança, virou moda os jogadores, a comissão técnica e até mesmo a diretoria do Galo não pouparem insinuações ou mesmo afirmações de favorecimento ao Corinthians na imprensa – o técnico Levir Culpi chegou ao cúmulo da irresponsabilidade de declarar que "o campeonato estava manchado".

Mas nada disso importa, o que importa é que viramos o primeiro turno na liderança – assim, vencemos mais uma vez o Troféu Osmar Santos, entregue pelo jornal Lance! – e que ninguém nos ultrapassaria até o fim do torneio.

No segundo turno, o time foi encorpando. Os grandes destaques da equipe eram os talentosos meias Renato Augusto e Jadson, de um entrosamento tão grande que ganharam o apelido de dupla "Renadson". Já jogadores inicialmente criticados, como Vágner Love, reencontraram o seu bom futebol. Assim, o Timão se tornou praticamente imbatível.

Apesar de novamente perdermos pontos contra Palmeiras e Grêmio (empates em 3x3 e 1x1, respectivamente), a vantagem do Timão no topo era sempre de no mínimo três pontos, e a gente não vacilava: quando o Atlético vencia, dando a impressão de que a diferença diminuiria, íamos lá e também vencíamos o nosso jogo; quando nós derrapávamos, dando margem para que nos alcançassem, eles também perdiam pontos, e nunca conseguiam tirar a diferença. Chegamos, inclusive, a ficar 17 jogos consecutivos sem perder.

O jogo-chave contra o Atlético, considerado uma espécie de final, aconteceu pela 33ª rodada, no dia 1º de novembro. Disputado no Horto, estádio que carrega a mística de ser um alçapão atleticano, o jogo acabou sendo um passeio corinthiano: 3x0, sem piedade, com gols de Malcom, Vagner Love e Lucca – este, um golaço de voleio. E aí, com 11 pontos na frente, a pergunta não era "se" seríamos campeões, mas "quando".

Uma mão já estava na taça, e esta quase veio assistindo o campeonato do sofá. Na 34ª rodada, nosso jogo foi marcado para o sábado, e o do Atlético, para o domingo. Os pedidos para que os jogos fossem disputados em mesmo dia e horário não foram atendidos, e assim houve o risco de que não comemorássemos a conquista em campo. Nós fizemos a nossa parte, vencendo o Coritiba por 2x1, e no dia seguinte todo mundo grudou na TV para ver se o campeonato seria ou não decidido... mas não foi. O 0x0 entre Figueirense e Atlético que definiria o Corinthians campeão persistia até os 45 do segundo tempo, quando a equipe mineira fez o gol da vitória e empurrou a definição para a rodada seguinte.

Na 35ª rodada, em 19 de novembro, finalmente tudo se decidiu. Com 11 pontos de vantagem e restando 12 em disputa, bastava ao Corinthians vencer em São Januário o desesperado Vasco da Gama, que lutava para não cair, ou, na pior das hipóteses, não perder e torcer para o Atlético não vencer o São Paulo no Morumbi em partida realizada no mesmo horário. O Vasco e o Atlético saíram na frente, dando a impressão de que a comemoração do título seria adiada por mais uma semana, mas empatamos a partida em 1x1, com gol de Vágner Love, e vimos o São Paulo virar o placar em 4x2. Com a combinação de resultados, comemoramos o hexa com três rodadas de antecedência e viemos fazendo festa do Rio de Janeiro até São Paulo. Foi o sexto título corinthiano no Brasileirão, igualando o recorde do São Paulo, e o terceiro na Era dos pontos corridos, igualando São Paulo e Cruzeiro.

Na ocasião, teve torcedor são-paulino cara-de-pau falando que vencemos porque fomos ajudados por eles. Então, tivemos a oportunidade de agradecer o presente já na rodada seguinte, com a maior goleada da história do confronto. No jogo das faixas, em 22 de novembro, atuando com o time quase todo reserva, vencemos por nada menos do que 6x1, e ainda teve um pênalti defendido pelo Cássio, pra aumentar a festa. Detalhe para o golaço de Lucca, após linda jogada de Bruno Henrique e passe de letra de Danilo, para o atacante Romero, que, após um de seus gols, fez o gesto de "seis" com as duas mãos pra comemorar o sexto título, mal sabendo que aquele seria também número de gols que a equipe faria no dia, e também para o volante Cristian, que fechou a contagem e repetiu o gesto feito na semifinal do Paulista de 2009 contra o próprio São Paulo em "homenagem" à torcida rival – mas não o gesto que ele mesmo havia feito, com os braços cruzados e os dedos médios levantados, e sim o de Ronaldo Fenômeno, com os indicadores erguidos. Se em 2011 comemoramos nosso quinto título brasileiro passando pelo São Paulo por 5x0, nada mais justo que um 6x1 contra eles na festa da nossa sexta conquista. Além disso, os pontos conquistados na partida valeram ao Timão mais um Troféu João Saldanha, oferecido pelo Lance! ao vencedor do segundo turno do Brasileirão.

Fechamos o campeonato com 24 vitórias em 38 jogos, com 12 pontos à frente do segundo colocado. Chegamos a 81 pontos, estabelecendo um novo recorde desde que o Brasileirão em pontos corridos é disputado com 20 clubes, pois superamos o Cruzeiro, que havia feito 80 pontos em 2014. E faltou pouco para batermos o recorde também em aproveitamento de pontos: somamos 71,1% dos pontos disputados, marca inferior apenas à do Cruzeiro de 2003, que alcançou 72,5% de aproveitamento em uma época que o campeonato era disputado com 24 clubes. Além disso, pela primeira vez fomos campeões brasileiros conseguindo vencer os dois turnos da competição. O fator casa foi fundamental: diante de sua torcida, foram 16 vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

Já na esfera individual, a premiação Bola de Prata, criada pela revista Placar e organizada em parceria com a ESPN Brasil, incluiu na lista dos melhores do torneio o zagueiro Gil, o volante Elias e o meia Jadson, além de Renato Augusto, que ganhou a Bola de Ouro ao ser eleito o melhor jogador do campeonato.

E um detalhe que entrou para a história do título foi a demissão do técnico atleticano Levir Culpi antes mesmo de o campeonato acabar. Se o campeonato estava "manchado" e nossa conquista teria acontecido "com ajuda", por que a diretoria da equipe mineira não confiou no trabalho do treinador? Mais uma incoerência dos rivais ao tentarem diminuir um título incontestável.

Corinthians hexa, sem mimimi!


Time-base: Cássio (Walter); Fagner (Edilson), Gil (Yago), Felipe (Edu Dracena) e Uendel (Guilherme Arana); Ralf (Cristian), Elias (Bruno Henrique), Jadson (Rodriguinho), Renato Augusto (Danilo) e Malcom (Lucca); Vágner Love (Romero) (Luciano). Técnico: Tite.

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