quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Títulos – Campeonato Paulista de 2013

O grande desafio para o Corinthians na temporada 2013 foi o de não se acomodar após o ano anterior, perfeito, em que conquistamos os títulos da Libertadores e do Mundial da FIFA. Havia grande curiosidade em ver como o time se comportaria após ter alcançado o topo do planeta, e também um certo receio de acomodação. Afinal, como motivar jogadores que acabaram de ser campeões mundiais? Porém, logo de cara, no primeiro campeonato disputado pelo Timão após a volta do Japão, conquistamos mais uma taça: a do Paulistão.

Mantendo a base multivencedora e contando com os reforços de Renato Augusto, que nos daria muitas alegrias em um futuro não tão distante, e do badalado Alexandre Pato, uma das contratações mais caras da história do futebol brasileiro – e para muitos, uma das mais equivocadas –, jogamos o estadual sem muito foco, pois estávamos mais preocupados com a Libertadores, que era disputada simultaneamente. Consequentemente, nossa primeira fase – disputada com 20 times, todos se enfrentando em turno único – foi apenas razoável. Muitas vezes atuando com os reservas, nosso desempenho foi marcado pelo alto número de empates: oito em 19 rodadas. Chegamos ao absurdo de realizar uma série de cinco empates consecutivos e ficamos com igualdade no placar até mesmo nos clássicos contra Palmeiras (2x2 em casa) e Santos (0x0 fora). Quando vencíamos, era sempre no aperto – a única vitória com placar elástico que conseguimos foi um 5x0 sobre o Oeste, na quinta rodada, em partida que marcou a tão aguardada estreia de Alexandre Pato e também o seu primeiro gol, o quinto da goleada, logo após pisar no gramado, já que o jogador começou a partida no banco.

Talvez o único jogo memorável desta etapa tenha sido a vitória contra o São Paulo no Morumbi, por 2x1, de virada. Jadson, que no ano seguinte viria para o Parque São Jorge em negociação envolvendo o próprio Alexandre Pato, abriu o placar para o time da casa, e Danilo, eterno carrasco tricolor, empatou a partida. No finalzinho do jogo, Alexandre Pato sofreu pênalti em uma dividida com Rogério Ceni e ele mesmo converteu aquele que seria o gol da vitória por 2x1. Talvez em um dos únicos momentos em que agradou a Fiel Torcida em sua toda a história com a camisa do Corinthians, Pato soube fazer a catimba contra o ídolo são-paulino, que reclamava da marcação do pênalti ao dizer que não havia chutado o atacante, e sim sido solado.

Terminada a primeira fase, os oito mais bem colocados avançariam para as quartas de final. Nos classificamos apenas na quinta posição, o que nos colocou no incômodo confronto com a sempre perigosa Ponte Preta, que tinha nos vencido na primeira fase e que também havia nos eliminado nas quartas do Paulista do ano anterior. Pra piorar, como a Ponte havia feito melhor campanha (quarto lugar) e o confronto seria em partida única, teríamos que jogar como visitantes, pois o mando de campo seria deles. Mas no fim das contas, goleamos: 4x0, em uma das melhores exibições corinthianas naquele ano.

Na semifinal, teríamos pela frente o São Paulo, detentor da melhor campanha geral, o que nos obrigava novamente a jogar como visitantes. Mas o Morumbi, todos sabem, é o nosso salão de festas, e deu Corinthians: 0x0 no tempo normal e 4x3 nos pênaltis. E aí aconteceu o segundo capítulo da novela Alexandre Pato x Rogério Ceni: Pato partiu para a cobrança decisiva, a última da série corinthiana, e Rogério, mestre em se adiantar, passou de qualquer limite (Cássio chegou a declarar que "todo mundo dá uma adiantadinha, mas o Rogério deu uma adiantadona"), avançando exatos 2,51 metros e chegando ao ridículo de alcançar a metade da pequena área antes mesmo de o atacante tocar na bola (nas palavras do próprio Pato, "veio até quase a marca do pênalti para pegar a bola"). Rogério defendeu, mas obviamente o juiz mandou voltar, o que gerou mais um mimimi do arqueiro são-paulino. Na nova cobrança, Pato mandou pro fundo das redes, classificando o Timão para mais uma final estadual, sem chororô.

Na final, agora em dois jogos, novamente enfrentaríamos uma equipe que havia realizado uma campanha melhor do que a nossa: o Santos. Por isso, o jogo de ida seria no Pacaembu e o de volta, na Vila Belmiro.

Na ida, em 12 de maio, mais uma vez fizemos uma ótima exibição: Paulinho abriu o placar e Paulo André fez o segundo para o Timão, parecendo fechar o caixão santista. Só que em uma bola parada, levamos um gol, e o 2x1 deixava a disputa aberta para o domingo seguinte.

O jogo de volta, em 19 de maio, quatro dias após sermos eliminados na Libertadores pelo Boca Juniors, foi pegado, polêmico, mas com amplo domínio corinthiano. Saímos atrás no placar, mas não deu nem pra esfriar: Danilo, sempre decisivo, fez o gol do título no minuto seguinte, e bastou segurar o pouco eficiente ataque santista até o fim da partida para garantir o empate em 1x1 e poder soltar o grito de campeão.

De quebra, o título corinthiano ainda tirou do Santos a possibilidade do tetracampeonato tão sonhado pelo rival, dando o troco do que havia acontecido três décadas antes: no ano de 1984, após dois títulos paulistas consecutivos do Corinthians em 82 e 83, perdemos a rodada decisiva exatamente para o Santos, que tirou o tri das nossas mãos.

Um time tão competitivo não deixaria de ser lembrado na premiação individual: tivemos seis jogadores – ou seja, mas da metade do time – eleitos para a seleção do campeonato: Alessandro, Gil, Ralf, Paulinho, Danilo e Guerrero.

O Paulista de 2013 foi a quarta taça que levantamos em apenas um ano e meio (depois do Brasileiro 2011, da Libertadores 2012 e do Mundial 2012), e ainda conquistaríamos a Recopa Sul-Americana dois meses depois. Bons tempos...



Time-base: Cássio (Danilo Fernandes); Alessandro (Edenílson), Paulo André (Felipe), Gil e Fábio Santos; Ralf, Paulinho (Guilherme) e Danilo (Douglas) (Renato Augusto); Emerson, Romarinho (Jorge Henrique) e Guerrero (Alexandre Pato). Técnico: Tite.

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