quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Títulos – Torneio Rio-São Paulo de 1966

A história que todo mundo conhece é a de que o Corinthians ficou 23 anos sem ganhar nenhum título, de 1954 a 1977. No entanto, a equipe venceu sim um campeonato oficial disputado nesse período: o Torneio Rio-São Paulo de 1966. O problema é que a conquista foi dividida entre Corinthians, Santos, Botafogo e Vasco da Gama, o que torna até constrangedora a comemoração em tais circunstâncias.

Nosso treinador era o lendário Oswaldo Brandão, que havia conduzido nosso time ao último título que havíamos conquistado, em 1954, e seria o responsável também pelo fim do jejum, em 1977. Já a equipe era um verdadeiro Timão – aliás, foi nessa época que o apelido surgiu, pois nosso time, que já contava com craques como Rivellino e Dino Sani, recebeu os reforços do zagueiro Ditão e do volante Nair, ambos contratados junto à Portuguesa, e também de Garrincha, um dos maiores jogadores de todos os tempos, embora já em final de carreira e sofrendo de uma lesão no joelho que abreviaria sua vida no futebol.

A fórmula de disputa do campeonato seguia a dos anos anteriores: as principais forças do futebol de São Paulo e do Rio de Janeiro se enfrentariam em sistema de pontos corridos em turno único. Após nove rodadas, o time que somasse mais pontos seria declarado campeão. O problema é que quatro times terminaram empatados: os alvinegros paulistas (Corinthians e Santos) e cariocas (Botafogo e Vasco da Gama), todos com 11 pontos, e não havia critérios de desempate, como conhecemos hoje em dia.

Caso o saldo de gols fosse um critério de desempate, o campeão seria o Botafogo, que fechou sua participação no torneio com saldo +8, enquanto o Santos possuía +7, o Vasco tinha +1 e o Corinthians apresentava 0. No entanto, se o desempate fosse decidido pelo número de vitórias, Corinthians e Vasco levariam vantagem – conseguiram cinco, contra quatro de Santos e Botafogo.

Antes mesmo da rodada decisiva, as federações Paulista e Carioca já haviam decidido que se houvesse empate em número de pontos apenas entre duas equipes, seria realizado um jogo-desempate entre elas, mas que em caso igualdade entre mais de duas, todas elas seriam declaradas campeãs, pois os preparativos para a Copa do Mundo de 1966 já haviam se iniciado e não haveria calendário para a disputa do desempate – no caso, um quadrangular –, o que obrigaria as equipes a entrarem em campo com os reservas, ideia vetada por ambas as federações.

Assim, no dia 28 de março de 1966, Corinthians, Santos, Vasco e Botafogo foram declarados campeões. E podia ter sido pior: se na última rodada o Palmeiras tivesse vencido o São Paulo, chegaria aos mesmos 11 pontos, e seriam cinco os campeões em um torneio disputado por 10 equipes. Imagine um campeonato em que metade dos participantes levanta a taça!

Pelo ponto de vista do torcedor corinthiano, o triste é que tínhamos a faca e o queijo na mão para conseguirmos o título de forma isolada, o que acabaria com o mais do que incômodo jejum de conquistas que já durava 12 anos e pouparia a Fiel Torcida de mais 11 anos de fila. Isso porque apesar de termos feito uma campanha apenas razoável, marcada por alguns maus resultados (como a derrota em casa por 3x0 contra o Vasco, a goleada de 5x1 sofrida no Rio contra o Botafogo e o clássico perdido contra o Palmeiras por 2x1 em que o recém-chegado Garrincha desperdiçou o pênalti que nos daria o empate aos 43 minutos do segundo tempo), bastaria uma vitória simples em nossa última partida no campeonato, contra o Santos, no Pacaembu, para alcançarmos a liderança isolada da competição e o consequente título. Mas eram tempos difíceis contra o time da Baixada, mesmo sem Pelé, que não jogou, e a partida acabou empatada em 0x0 – e olha que contávamos com dois jogadores a mais desde o primeiro tempo após a expulsão dos craques adversários Coutinho e Mengálvio. Pra piorar, nosso atacante Flávio perdeu um pênalti, defendido pelo goleiro santista, e ainda tivemos um gol (bem) anulado no finalzinho da partida, gol este que levaria o título exclusivamente para o Parque São Jorge.

Foi o quarto título corinthiano na competição, que entrou em um hiato e não seria mais disputada até 1993. Na verdade, a partir de 1967 ela foi ampliada, contando também com equipes de outros estados, e ficou conhecida pelo seu nome oficial, Torneio Roberto Gomes Pedrosa – ou Robertão – (posteriormente, Taça de Prata), sendo realizada até 1970.

Além disso, a conquista foi marcante por ser a única de Rivellino com a camisa corinthiana.

Time-base: Heitor (Marcial); Jair Marinho, Ditão, Galhardo e Édson (Maciel); Nair e Rivellino (Dino Sani); Marcos (Garrincha) (Bataglia), Flávio (Nei), Tales e Gílson Porto. Técnico: Oswaldo Brandão.

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