segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Títulos – Campeonato Brasileiro de 2008 - Série B

Título de Série B, obviamente, é algo que clube nenhum quer comemorar. Mas quando a tragédia do rebaixamento se abateu sobre o Corinthians em 2007, não restava outra alternativa além de enfrentar o calvário da Segundona da forma mais digna possível e voltar para a elite do futebol brasileiro de cabeça erguida.

Havia quem defendesse que o ideal seria conseguir o acesso sem conquistar o título – ou seja, terminando o campeonato na segunda, terceira ou quarta colocação –, para nem termos um troféu de Segunda Divisão no Memorial do Parque São Jorge. Outros, no entanto, achavam que tínhamos mesmo é que fazer a melhor campanha da história da Série B, para deixar bem claro que aquele não era o nosso lugar.

Para comandar a equipe nessa nova fase, foi chamado o treinador Mano Menezes, que já havia tirado o Grêmio da mesma situação em 2005 (e que, ironicamente, era o treinador da equipe gaúcha exatamente na partida que definiu o rebaixamento corinthiano, na rodada final do Brasileirão do ano anterior). Já o elenco passou por uma reestruturação total: foram contratados vários jogadores que tivessem a fibra necessária para vestir a camisa do Corinthians e aceitassem o desafio de defender a nossa equipe em um momento tão delicado, sendo o goleiro Felipe e o atacante Dentinho dois dos poucos remanescenetes da desastrosa temporada de 2007. Muitas dessas contratações rapidamente deram liga no time, como os zagueiros William e Chicão, os laterais Alessandro e André Santos, o volante Elias, o meia Douglas e o atacante argentino Herrera – mais tarde, chegaria também o volante Cristian.

O início do ano foi de testes, pois o objetivo era acertar a equipe para a disputa da Série B, mas mesmo assim o time conseguiu surpreender a todos ao chegar à final da Copa do Brasil, na qual fomos derrotados pelo Sport. No entanto, apesar da derrota, essa campanha serviu para mostrar que estávamos no caminho certo. O acesso viria, e sem sustos.

O regulamento da Segundona era igual ao da Série A: 20 times se enfrentariam em turno e returno ao longo de 38 rodadas no sistema de pontos corridos. Longas 38 rodadas, aliás, em que seria necessária muita paciência para aguentar todo tipo de piadas dos rivais enquanto enfrentaríamos adversários sem expressão e jogaríamos em gramados horrorosos de estádios localizados nas cidades mais distantes. O período, definitivamente, não seria fácil.

Nossa estreia, contra o CRB, em casa, no dia 10 de maio, foi tensa: aproveitando o evidente nervosismo que o Timão demonstrava por enfrentar uma situação tão distante da sua realidade, a equipe alagoana abriu o placar logo no primeiro lance do jogo. Mas no minuto seguinte, Herrera empatou, demonstrando logo de cara a raça que nos acompanharia por todo o campeonato. Conseguimos a virada por 3x2, vitória essa que nos colocou entre os primeiros colocados desde o início da competição. Já na rodada seguinte, pegamos a liderança de forma isolada e simplesmente não a largamos mais. Foram seis vitórias seguidas nas primeiras seis partidas, e o time foi conhecer sua primeira derrota apenas na 12ª rodada – surpreendentemente, em casa, contra o Bahia –, mas nada que atrapalhasse a excelente campanha que vinha sendo feita. O único momento em que o Corinthians ameaçou perder a liderança aconteceu na 18ª rodada, quando enfrentaríamos fora de casa o vice-líder, Avaí, dois pontos atrás do Timão na competição. Se perdêssemos, a equipe catarinense nos ultrapassaria, mas conseguimos um empate em 1x1 e seguimos na liderança.

Com 68,4% de aproveitamento, fechamos o primeiro turno com 39 pontos, quatro de vantagem sobre o vice-líder Avaí.

E o segundo turno também começou muito bem, com cinco vitórias seguidas, ampliando a vantagem do Timão na ponta da tabela. Assim, o Corinthians foi fazendo a sua parte jogo após jogo, e o torcedor foi se tranquilizando, pois sabia que era uma mera questão de tempo: em breve, toda aquela humilhação faria parte do passado e voltaríamos para o lugar de onde nunca deveríamos ter saído.

A torcida, aliás, foi um capítulo à parte e, como sempre, dedicou seu apoio incondicional ao time. Em uma situação aparentemente contraditória, parecia que o amor do torcedor nunca tinha se manifestado de um modo tão forte como naquele momento tão adverso. A música "Eu nunca vou te abandonar, porque te amo" virou o tema da campanha, cantado aos quatro cantos do país. O orgulho de ser corinthiano nunca havia sido tão grande: em todo lugar se viam bandeiras e camisas do Corinthians, mais até do que em momentos mais gloriosos de nossa história, e os estádios ficavam lotados em todas as partidas – inclusive, seis dos dez maiores públicos do campeonato foram em jogos do Corinthians. Mas o mais impressionante foi notar que nunca a Primeira Divisão havia se mostrado tão enfraquecida pela ausência de um clube: a média de audiência da competição despencou, e a Série B passou a ser mais comentada do que a A.

O tão aguardado jogo do acesso aconteceu em 25 de outubro, no Pacaembu. Diante de 32 mil pessoas, o Corinthians recebeu o Ceará pela 32ª rodada sabendo que uma combinação de resultados (vitória nossa e derrota do Grêmio Barueri contra o Paraná) nos colocaria matematicamente de volta à Série A. Vencemos por 2x0 e, com o ouvido colado no sistema de som do Pacaembu, descobrimos que o Paraná havia vencido por 2x1. Foi festa completa – teve até jogador pulando o alambrado pra comemorar junto com a torcida. E nesse dia, a música tema foi outra: "O Portão", de Roberto Carlos, com o refrão que tinha tudo a ver com o momento que a gente estava vivendo ("Eu voltei / agora pra ficar / porque aqui / aqui é o meu lugar").

Mas ainda faltava o título para coroar uma campanha tão fantástica. E ele veio na 34ª rodada, após a vitória por 2x0 sobre o Criciúma em Santa Catarina.

Foi a melhor campanha da história da competição: 85 pontos conquistados, com 25 vitórias, dez empates e apenas três derrotas em 38 jogos, além de um ataque que marcou 79 gols.

Mas o grande legado que essa experiência deixou foi permitir que o Corinthians voltasse mais forte do que nunca. Nos próximos anos, retomaríamos o caminho das glórias que se iniciaria com o Paulista de 2009, até alcançarmos o topo do mundo em 2012, no Japão.


Time-base: Felipe (Júlio César); Alessandro (Carlos Alberto), Chicão (Carlão), William (Fábio Ferreira) e André Santos (Wellington Saci); Cristian (Fabinho) (Nilton), Elias (Eduardo Ramos) (Diogo Rincón), Morais (Lulinha) e Douglas (Perdigão); Dentinho (Otacílio Neto) e Herrera (Acosta). Técnico: Mano Menezes.
       
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