sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Títulos – Copa do Atlântico de Clubes de 1956

O terceiro título internacional do Corinthians, após duas taças de nível mundial (a Pequena Taça do Mundo de 1953 e o Torneio Internacional Charles Miller de 1955), foi uma conquista continental: a Copa do Atlântico de Clubes de 1956. Mas há controvérsia. Algumas fontes afirmam que a final do torneio, contra o Boca Juniors, não foi disputada por falta de datas, e que portanto não houve campeão. Outras dizem que o título foi dividido entre as duas equipes. Há até quem alegue que o Corinthians venceu a partida de ida, mas que o adversário teria desistido de disputar a partida de volta, perdendo por W.O. – o que tornaria o Corinthians o campeão legítimo da competição.

Organizado em parceria entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), a Asociación del Fútbol Argentino (AFA) e a Asociación Uruguaya de Fútbol (AUF), o torneio tinha 15 participantes, sendo cinco de cada um desses países. Como costumava acontecer naquela época, os representantes argentinos e uruguaios eram convidados de acordo com seu desempenho nos campeonatos nacionais, mas na falta de um campeonato brasileiro, que ainda não existia, as equipes do nosso país eram escolhidas a partir de seus resultados nos Campeonatos Paulista e Carioca, considerados os mais importantes dentre os estaduais. E foi como vice-campeão paulista de 1955 que o Corinthians conquistou sua vaga no torneio.

O sistema de disputa era eliminatório, ou seja, mata-mata, em jogo único (com exceção da final, que seria disputada em melhor de três), até que se definisse o campeão. Como o número de participantes era ímpar, foi decidido por sorteio que o Fluminense se classificaria automaticamente para as quartas de final, enquanto as demais 14 equipes disputariam as outras sete vagas para integrar a fase seguinte juntamente com a equipe carioca.

Nossa estreia na competição, contra o Danúbio, do Uruguai, foi extremamente difícil. Em partida disputada no Pacaembu em 23 de junho, quase fomos eliminados logo na estreia: perdíamos por 2x0 até os 41 minutos do segundo tempo, quando Cláudio e Paulo empataram a partida com dois gols em três minutos. Como o empate persistiu na prorrogação e a disputa de pênaltis não estava prevista no regulamento, a vaga na fase seguinte foi decidida, pasmem, por sorteio, no cara ou coroa. A sorte nos sorriu, e foi desse modo inusitado que avançamos para a fase seguinte.

Nas quartas, contra o Santos, em 4 de julho, novamente no Pacaembu, mais dificuldade: Paulo abriu o placar, mas sofremos o empate; Paulo fez mais um e Zezé ampliou para o Corinthians, só que o Santos buscou o empate mais uma vez; foi só aos 40 minutos do segundo tempo que Cláudio, de pênalti, marcou o gol que deu números finais à partida, com vitória corinthiana por 4x3.

Na semifinal, disputada em 7 de julho também no Pacaembu, outro rival paulista nos aguardava: dessa vez, o São Paulo. Com um pouco menos de sofrimento, os gols de Zezé e Cláudio nos deram a vitória por 2x0 e a vaga na final da competição, contra o Boca Juniors, da Argentina.

E aí entra a tal da controvérsia. Dentre os principais estudiosos da história corinthiana, as fontes mais confiáveis apontam que essa final nunca aconteceu. A razão teria sido a falta de datas para a realização das partidas, mas há quem afirme que o motivo real tenha sido a recusa do Boca em participar de uma disputa teoricamente injusta, já que, se após uma partida na Argentina e outra no Brasil não se decidisse o campeão, um terceiro jogo seria disputado também no Brasil, o que desequilibraria a decisão. No entanto, alguns historiadores alegam que houve sim uma partida disputada entre Corinthians e Boca em Buenos Aires, no dia 19 de julho, que terminou com vitória corinthiana por 3x2, o que teria feito a equipe argentina desistir da competição, tornando o Corinthians campeão por W.O. Porém, não há documentos que comprovem que essa partida foi disputada – inclusive, apenas 48 horas antes dessa data, em 17 de julho, o Corinthians estava em campo em solo brasileiro pelo Campeonato Paulista, o que inviabilizaria uma viagem internacional e a consequente realização da partida contra o Boca após um intervalo tão curto. Outra prova é que há jornais de dezembro de 1957, ou seja, de quase um ano e meio depois, afirmando que as finais da competição ainda não tinham sido realizadas e que aconteceriam entre janeiro e fevereiro de 1958 – o que jamais se concretizou –, e nem mesmo o site oficial do Corinthians lista a conquista na nossa galeria de títulos.

De qualquer forma, o campeonato faz parte da história corinthiana e merece ser descrito neste espaço, tenha ele resultado em título ou não.

Time-base: Gilmar (Valentino); Olavo e Julião (Alan); Idário, Goiano (Walmir) e Roberto; Cláudio, Luizinho, Paulo (Baltazar), Rafael (Carbone) e Nelsinho (Zezé). Técnico: Oswaldo Brandão.

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