sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Títulos – Pequena Taça do Mundo de 1953

Se engana quem pensa que o Corinthians conquistou o mundo pela primeira vez em 2000, após a vitória no Mundial da Fifa daquele ano. Já na década de 1950, o Corinthians venceu seu primeiro título mundial: a Pequena Taça do Mundo, disputada na Venezuela, cujo nome oficial era Troféu Marcos Pérez Jiménez, em referência ao presidente venezuelano no período em que o torneio foi criado, embora a competição também tenha sido chamada de Torneio de Caracas ou Torneio Quadrangular de Caracas pela imprensa no Brasil da época.

A competição era mais uma das diversas disputas criadas durante a década de 1950 para decidir qual era o "melhor time do mundo", já que não havia torneios internacionais oficiais para clubes organizados pela Fifa ou pelas entidades continentais. Assim, não se trata de um título oficial, e sim de uma disputa de menor expressão, afinal, o torneio era organizado por empresários venezuelanos e contava também com a colaboração da Federação Nacional de Futebol da Venezuela, sendo visto atualmente como uma competição de caráter amistoso.

A escolha dos clubes participantes não seguia um critério fixo: o que se sabe é que a Federação Venezuelana buscava mesclar participantes da Europa e da América do Sul e que só seriam convidadas equipes que tivessem terminado entre a primeira e a quarta colocação em suas ligas nacionais. Mas como não havia nenhum torneio nacional em disputa no Brasil até 1959, quando seria criada a Taça Brasil, as equipes de São Paulo e do Rio de Janeiro, que na época eram os maiores centros do futebol no país, recebiam convites como representantes brasileiros na disputa com base em suas colocações nos campeonatos estaduais.

Na edição de julho de 1953, a terceira da história do torneio, participaram quatro equipes: Corinthians (campeão paulista de 1952 e também do Torneio Rio-São Paulo de 1953); Barcelona, da Espanha (campeão espanhol de 1952 e 1953 e também da Copa Latina de 1952); Roma, da Itália (campeã da Série B italiana de 1951-52); e o time anfitrião, ou seja, uma seleção de Caracas.

Na verdade, nem era pra termos participado: a ideia original era que o Vasco – na época, o campeão carioca – fosse o representante do Brasil no campeonato, mas a equipe do Rio de Janeiro declinou do convite. Em seu lugar, foi convidado o Sporting, de Portugal, que também recusou. Só então é que fomos convidados para o torneio. Mas não pense que isso aconteceu exclusivamente com a gente, pois era comum que os participantes recebessem convites em cima da hora. A própria Roma só foi chamada após a recusa do Milan – aliás, é impossível não notar que a Roma era a campeã da Série B à época, ou seja, os critérios estabelecidos para que o convite fosse oficializado eram realmente pouco confiáveis –, e esse tipo de recusa aconteceu também nas outras edições do torneio. Como já dito anteriormente, várias disputas desse tipo, como a Copa Rio, por exemplo, eram realizadas no período, cabendo aos clubes convidados decidirem de qual campeonato participariam a partir dos benefícios financeiros que receberiam ou do prestígio que consideravam que cada torneio carregava.

Fato é que o Corinthians era considerado uma grande zebra na competição. Todos esperavam que o Barcelona nadasse de braçada no torneio, mas, como costuma acontecer toda vez que duvidam da gente, vencemos. E logo com 100% de aproveitamento, provando que naquela época realmente possuíamos um dos times mais fortes do mundo.

As quatro equipes participantes se enfrentariam no esquema de todos contra todos, com aquela que somasse mais pontos se sagrando campeã.

O Corinthians estreou batendo a Roma por 1x0, gol de Luizinho. Em nossa segunda partida, nem mesmo o favorito Barcelona foi páreo para nós: vencemos novamente, por 3x2, com dois gols de Luizinho e um de Carbone. Na sequência, com gols de Cláudio e de Carbone, derrotamos a seleção de Caracas por 2x1.

Uma história famosa, e inclusive confirmada pelo próprio ponta corinthiano Cláudio, é a de que o regulamento foi alterado com a competição já em andamento. Dizem que originalmente o torneio seria disputado em turno único, mas que após o desempenho impressionante do Corinthians nas primeiras partidas decidiu-se por realizar um segundo turno, para aumentas as chances de a taça ficar nas mãos de uma equipe europeia (de preferência, o Barcelona). No entanto, tal afirmação não faz muito sentido e não pode ser confirmada, até porque todas as demais edições da Pequena Taça do Mundo foram disputadas em turno e returno.

O que importa é que no segundo turno o Corinthians passou de zebra a time a ser batido. Liderávamos a competição com seis pontos (na época, cada vitória valia dois pontos), e as demais equipes possuíam apenas dois pontos cada, já que todas haviam sido derrotadas pelo Corinthians e cada uma havia conseguido uma vitória e uma derrota nas partidas entre si. Já tínhamos uma mão na taça.

O título por antecipação veio logo na primeira rodada do segundo turno, com dois jogos de antecedência: em uma partida tensa que precisou ser paralisada e reiniciada por causa de uma briga generalizada, o 1x0 no Barcelona, gol de Goiano, levou o Corinthians a oito pontos, número que não poderia ser alcançado por nenhuma outra equipe.

Depois de levantar o troféu, foi só cumprir tabela, mas isso não significa que o Corinthians relaxou: com um 2x0 na seleção de Caracas, partida em que Cláudio marcou duas vezes, e, encerrando nossa participação no torneio, um 3x1 na Roma, com um gol de Cláudio e dois de Luizinho, conseguimos derrotar todos os nossos adversários mais uma vez, fechando nossa participação no torneio com seis vitórias em seis jogos, 12 gols pró e apenas quatro contra. Pra calar a boca de quem não apostava no favoritismo do Corinthians.

Luizinho foi o artilheiro da competição, juntamente com Kubala, do Barcelona, com cinco gols.

Time-base: Cabeção; Homero e Olavo; Sula (Idário), Goiano e Julião (Roberto); Cláudio, Luizinho, Nardo (Vermelho) (Baltazar), Carbone e Souzinha (Mário). Técnico: Rato.

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