sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Títulos – Troféu Internacional Feira de Hidalgo de 1981

Em 1981, o Corinthians foi um dos clubes convidados para a disputa de um torneio amistoso realizado no México: o Troféu Internacional Feira de Hidalgo (em espanhol, Trofeo Internacional Feria de Hidalgo), disputado em Pachuca, capital do estado mexicano de Hidalgo. Esta, que foi a única edição do torneio, contou também com a participação de dois times da casa (America e Cruz Azul) e do Independiente, da Argentina.

Quanto ao regulamento, embora eu não tenha encontrado nenhum documento e nem mesmo jornais ou revistas da época que explicassem o formato de disputa, a tendência é que ele seguisse um esquema bastante comum à época, que inclusive seria usado na Copa das Nações vencida pelo Timão quatro anos depois, em 1985: as quatro equipes formariam um quadrangular, e cada uma enfrentaria apenas dois dentre os seus três adversários do grupo; após duas rodadas, quem somasse mais pontos se sagraria campeão. Algumas fontes indicam que seriam três rodadas, ou seja, que todos jogariam contra todos, mas isso, como se verá a seguir, não foi colocado em prática, já que cada equipe realizou apenas duas partidas.

A estreia corinthiana na competição, no dia 18 de novembro, foi contra o Independiente, um dos gigantes do futebol argentino, que na época já contabilizava seis títulos da Taça Libertadores. Com um gol de Sócrates e outro de Zenon, vencemos por 2x1, mas o fato mais marcante daquele jogo foi a briga generalizada que estourou em campo, o que obrigou o árbitro a encerrar a partida aos 39 minutos do segundo tempo.

Nossa segunda partida, no dia 20 de novembro, foi contra o America. Apesar do grande número de torcedores corinthianos presentes no estádio, o que impressionou até os jogadores do nosso elenco, tínhamos um problemão: nosso maior craque, Sócrates, precisou entrar em campo no sacrifício, pois havia sentido uma lesão. Com a bola rolando, mais dificuldade: embora o Timão tenha conseguido abrir o placar com Wágner, aos 26 minutos do primeiro tempo, a expulsão do zagueiro Gomes logo no início da segunda etapa dificultou ainda mais as coisas. Mesmo com um homem a menos, o Corinthians ampliou com o baleado Sócrates, após um contra-ataque, só que na sequência tivemos mais dois jogadores expulsos – logo Zenon e Biro-Biro, dois dos principais atletas do nosso time. Tivemos que encerrar a partida com oito jogadores, ainda que no finalzinho da partida um adversário também tenha levado o vermelho, mas mesmo assim vencemos por 2x0. Com o resultado, o Corinthians garantiu o título e, além da taça, recebeu os parabéns do governador de Hidalgo, Guillermo Rossell de la Lama, que se encantou com o futebol praticado pela equipe alvinegra e fez questão de ir cumprimentar os jogadores corinthianos, Sócrates em especial.

Alguns pesquisadores costumam apontar que com duas vitórias nos dois primeiros jogos, nem foi necessária a parida contra o Cruz Azul que encerraria a participação corinthiana no torneio, pois nenhuma outra equipe poderia alcançar a nossa pontuação, mas matematicamente isso não faz o menor sentido: o Cruz Azul havia vencido sua primeira partida, contra o America, e sido derrotado em seu segundo compromisso contra o Independiente, nos pênaltis. Isso quer dizer que o Cruz Azul poderia nos vencer na partida final e empatar com a gente em pontos – e, inclusive, se isso acontecesse e o Independiente vencesse o America, teríamos um triplo empate na liderança do grupo, pois todas as equipes chegariam a quatro pontos (na época, cada vitória valia dois pontos). Assim, conforme já apontado no início deste texto, embora eu não tenha obtido acesso a um programa oficial que explicasse o regulamento do torneio, tudo indica que fosse mesmo uma disputa em que não estavam previstos confrontos de todos contra todos. Mas o que importa é que o troféu está no Parque São Jorge e faz parte da história corinthiana.

Time base: César; Zé Maria (Luís Cláudio), Gomes, Wágner e Wladimir; Caçapava, Biro-Biro e Zenon (Paulinho); Eduardo (Rondinelli), Sócrates (Mário) e Joãzinho. Técnico: Mário Travaglini.

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