segunda-feira, 8 de maio de 2017

Títulos – Campeonato Paulista de 2017

"A quarta força do futebol paulista". Assim foi definido o Corinthians pela imprensa especializada no início de 2017.

Tamanha descrença na equipe até se justificava: nossa temporada de 2016 havia terminado de forma decepcionante, as novas contratações não empolgavam ninguém, a efetivação do ex-interino Fábio Carille como novo técnico ainda se mostrava uma incógnita... Enquanto isso, os rivais eram paparicados sem parar pela mídia esportiva. Todo mundo só se esqueceu de um detalhe fundamental: quando se trata de Corinthians, quanto mais desacreditado, mais a gente cresce e demonstra a nossa força. Assim, todo esse descrédito seria fundamental para mexer com os brios do grupo e acabou contribuindo para mais um título estadual na história corinthiana.

O campeonato enxuto trazia apenas 16 participantes. Seguindo a fórmula dos anos anteriores, as equipes seriam divididas na primeira fase em quatro grupos, mas cada uma enfrentaria apenas os 12 times dos demais grupos, não sendo realizados jogos entre times da mesma chave. Finalizada a primeira fase, os dois melhores de cada grupo avançariam para as quartas de final.

Sorteados no Grupo A, estreamos batendo o São Bento por 1x0 fora de casa, com gol de Jô, 11 anos depois de deixar sua marca com a camisa do Timão pela última vez. Só que logo na segunda rodada, fomos surpreendidos pelo fraco Santo André em plena Arena Corinthians e acabamos derrotados por 2x0, talvez o pior resultado da história do nosso estádio. Seriam necessários muita humildade e trabalho para colocar tudo nos trilhos, e assim fomos enfileirando "goleadas" por 1x0 até o time se acertar.

Mas o verdadeiro divisor de águas foi o clássico contra o Palmeiras disputado em nossa Arena pela quinta rodada. Na ocasião, comemorava-se o Derby Centenário, já que o primeiro jogo entre as duas equipes foi disputado em 1917, e aconteceu de tudo – até o maior erro de arbitragem no confronto em todos os tempos, com a expulsão do volante Gabriel por uma falta que quem cometeu havia sido o Maycon. Mas mesmo com um jogador a menos, demonstrando muita determinação e uma disciplina tática invejável, jamais desistimos da vitória, que veio graças a Jô, autor do inacreditável 1x0 aos 41 minutos do segundo tempo, 20 segundos após pisar no gramado vindo do banco de reservas. Era um Corinthians com muita raça, como há tempos não se via.

A sequência foi razoavelmente tranquila, com destaque para a estrela de Jô, que brilharia também nos outros dois clássicos do primeiro turno: ele marcaria na vitória por 1x0 sobre o Santos e no empate em 1x1 com o São Paulo, o que fez com que recebesse da torcida o apelido de "God of Clássicos".

O time, agora mais acertado, mostrou que também era cascudo. Tendo como principais nomes os garotos da base, que finalmente começaram a ter oportunidades, a zaga quase intransponível formada por Balbuena e Pablo e a dupla Jadson e Rodriguinho no meio de campo, garantimos com folgas a primeira colocação do grupo e ficamos apenas um ponto atrás do rival Palmeiras na classificação geral.

Nas quartas, enfrentaríamos o segundo colocado de nosso grupo, o Botafogo de Ribeirão Preto. Nesse confronto, embora em momento nenhum tenhamos ficado ameaçados de perder a vaga, faltou bola: apenas empatamos em 0x0 em Ribeirão e vencemos por 1x0, gol de Rodriguinho, em casa.

Futebol bem jogado, de verdade, apresentamos na semi, contra o rival São Paulo. Na ida, o 2x0 para o Timão em pleno Morumbi, com mais um gol de Jô e outro de Rodriguinho, foi considerado o placar justo de uma partida taticamente perfeita. Na volta, bastou o 1x1 na Arena – gol, claro, de Jô, que marcou cinco gols em cinco clássicos no campeonato – para assegurarmos a vaga em mais uma final estadual.

E 40 anos após a mítica quebra do jejum corinthiano, quis o destino que nosso adversário na final fosse a Ponte Preta, mesma equipe que enfrentamos na decisão de 1977. Ponte Preta, aliás, credenciada por ter eliminado Santos e Palmeiras, inclusive goleando este último por 3x0 na semifinal.

Mas enquanto uns perdem de três em Campinas, outros vencem: com uma exibição de gala, Rodriguinho (duas vezes) e Jadson garantiram o 3x0, trazendo uma vantagem enorme para casa. E no dia 7 de maio, na partida número 100 disputada na Arena Corinthians, o 28º título paulista da história corinthiana se concretizou. Fizemos 1x0, com um merecido gol do antes criticado Romero, o maior artilheiro da história do estádio, que já havia se transformado em um legítimo símbolo da raça corinthiana e em peça-chave do esquema tático do técnico Carille. No fim das contas, a Ponte até empatou, e o jogo terminou em 1x1, mas assim como já havia acontecido nas decisões paulistas de 1999 e 2001, a vantagem por três gols construída na partida de ida foi mais que suficiente para a conquista.

Foi a primeira taça levantada em nossa Arena, o primeiro título comemorado em estádio próprio desde 1939, quando conquistamos o Campeonato Paulista jogando no Parque São Jorge, e também a primeira vez que um goleiro ergueu a taça como capitão, já que Cássio recebeu a braçadeira na ocasião.

Pra aumentar a festa, os campeões de 1977 foram homenageados em uma dupla volta olímpica com os troféus de 2017 e 1977, comemoração que contou com a presença dos ídolos Tobias, Zé Maria, Wladimir, Vaguinho e Basílio.

Fomos bem até na premiação, já que tivemos cinco eleitos para a seleção do campeonato: Fagner, Pablo, Guilherme Arana, Rodriguinho e Jô, além do técnico Fábio Carille.



Time-base: Cássio; Fagner (Léo Príncipe), Balbuena (Pedro Henrique), Pablo e Guilherme Arana (Moisés); Gabriel (Paulo Roberto), Maycon (Camacho) (Marciel), Jadson (Pedrinho) (Fellipe Bastos) e Rodriguinho (Marquinhos Gabriel) (Marlone); Romero (Léo Jabá) (Clayton) e Jô (Kazim). Técnico: Fábio Carille.

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