segunda-feira, 8 de maio de 2017

Títulos – Campeonato Paulista de 2017

Em 2017, um desacreditado Corinthians visto como "a quarta força de São Paulo" iniciou a busca por mais um título estadual na sua história.

O campeonato enxuto seguia a fórmula dos anos anteriores: as equipes seriam divididas na primeira fase em quatro grupos, mas cada uma enfrentaria apenas os times dos demais grupos, não sendo realizados jogos entre times da mesma chave. Finalizada a primeira fase, os dois melhores de cada grupo avançariam para as quartas de final.

Sorteados no Grupo A, estreamos batendo o São Bento por 1x0 fora de casa, com gol de Jô, 11 anos depois de deixar sua marca com a camisa do Timão pela última vez. Só que logo na segunda rodada, fomos surpreendidos pelo fraco Santo André em plena Arena Corinthians e acabamos derrotados por 2x0, talvez o pior resultado da história do nosso estádio. Seriam necessários muita humildade e trabalho para colocar tudo nos trilhos, e assim fomos enfileirando "goleadas" por 1x0 até o time se acertar.

Mas o verdadeiro divisor de águas foi o clássico contra o Palmeiras disputado em nossa Arena pela quinta rodada. Na ocasião, comemorava-se o Derby Centenário, já que o primeiro jogo entre as duas equipes foi disputado em 1917, e aconteceu de tudo – até o maior erro de arbitragem no confronto em todos os tempos, com a expulsão do volante Gabriel por uma falta que quem cometeu havia sido o Maycon. Mas mesmo com um jogador a menos, demonstrando muita determinação e uma disciplina tática invejável, jamais desistimos da vitória, que veio graças a Jô, autor do inacreditável 1x0 aos 41 minutos do segundo tempo, 20 segundos após pisar no gramado vindo do banco de reservas. Era um Corinthians com muita raça, como há tempos não se via.

A sequência foi razoavelmente tranquila, com destaque para a estrela de Jô, que brilharia também nos outros dois clássicos do primeiro turno: ele marcaria na vitória por 1x0 sobre o Santos e no empate em 1x1 com o São Paulo.

O time, agora mais acertado, mostrou que também era cascudo. Tendo como principais nomes os garotos da base, que finalmente começaram a ter oportunidades, a zaga quase intransponível formada por Balbuena e Pablo e a dupla Jadson e Rodriguinho no meio de campo, garantimos com folgas a primeira colocação do grupo e ficamos apenas um ponto atrás do rival Palmeiras na classificação geral.

Nas quartas, enfrentaríamos o segundo colocado de nosso grupo, o Botafogo de Ribeirão Preto. Nesse confronto, empatamos em 0x0 em Ribeirão e vencemos por 1x0, gol de Rodriguinho, em casa.

A semi seria contra o rival São Paulo. Na ida, o 2x0 para o Timão em pleno Morumbi, com mais um gol de Jô e outro de Rodriguinho, foi considerado o placar justo de uma partida taticamente perfeita. Na volta, bastou o 1x1 na Arena – gol, claro, de Jô, que marcou em todos os clássicos do campeonato – para assegurarmos a vaga em mais uma final estadual.

E 40 anos após a mítica quebra do jejum corinthiano, quis o destino que nosso adversário na final fosse a Ponte Preta, mesma equipe que enfrentamos na decisão de 1977. Ponte Preta, aliás, credenciada por ter eliminado Santos e Palmeiras, inclusive goleando este último por 3x0 na semifinal.

Mas enquanto uns perdem de três em Campinas, outros vencem: com uma exibição de gala, Rodriguinho (duas vezes) e Jadson garantiram o 3x0, trazendo uma vantagem enorme para casa. E no dia 7 de maio, na partida número 100 disputada na Arena Corinthians, o título se concretizou. Fizemos 1x0, com um merecido gol do antes criticado Romero, o maior artilheiro da história do estádio, que já havia se transformado em um legítimo símbolo da raça corinthiana e em peça-chave do esquema tático do técnico Carille. No fim das contas, a Ponte até empatou, e o jogo terminou em 1x1, mas assim como já havia acontecido nas decisões paulistas de 1999 e 2001, a vantagem por três gols construída na partida de ida foi mais que suficiente para a conquista.

Foi a primeira taça levantada em nossa Arena, o primeiro título comemorado em estádio próprio desde 1939, quando conquistamos o Campeonato Paulista jogando no Parque São Jorge, e também a primeira vez que um goleiro ergueu a taça como capitão, já que Cássio recebeu a braçadeira na ocasião. Além disso, estabelecemos a maior hegemonia da história do Campeonato Paulista: com 28 estaduais conquistados, abrimos seis títulos a mais que o segundo colocado, vantagem jamais alcançada por nenhuma equipe desde que a competição foi criada, em 1902.

Pra aumentar a festa, os campeões de 1977 foram homenageados em uma dupla volta olímpica com os troféus de 2017 e 1977, comemoração que contou com a presença dos ídolos Tobias, Zé Maria, Wladimir, Vaguinho e Basílio.

Fomos bem até na premiação, já que tivemos cinco jogadores eleitos para a seleção do campeonato: Fagner, Pablo, Guilherme Arana, Rodriguinho e Jô, além do técnico Fábio Carille.



Time-base: Cássio; Fagner (Léo Príncipe), Balbuena (Pedro Henrique), Pablo e Guilherme Arana (Moisés); Gabriel (Paulo Roberto), Maycon (Camacho) (Marciel), Jadson (Pedrinho) (Fellipe Bastos) e Rodriguinho (Marquinhos Gabriel) (Marlone); Romero (Léo Jabá) (Clayton) e Jô (Kazim). Técnico: Fábio Carille.

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