segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Títulos – Campeonato Brasileiro de 2017

A história do sétimo título brasileiro conquistado pelo Corinthians pode ser contada a partir de uma palavra: recordes.

Embora o Timão tivesse acabado de vencer o Campeonato Paulista, novamente poucos acreditavam no sucesso da equipe. Diziam que a "quarta força" de São Paulo brigaria para não cair no Brasileirão e que o título, fatalmente, ficaria com alguma das equipes que realizaram maiores investimentos no futebol brasileiro para a temporada. O argumento era que embora vencer o estadual tivesse sido possível, um time "limitado e com elenco fraco" como aquele do Corinthians jamais poderia conquistar um Campeonato Brasileiro em pontos corridos. Como veríamos na sequência, essas seriam apenas mais algumas das diversas bobagens que faríamos todos engolir na temporada.

O formato do campeonato seguia igual: pontos corridos em turno e returno, sendo disputado por 20 equipes.

Nossa estreia, após a ressaca do título paulista e uma viagem ao Chile pela Copa Sul-Americana que deixou boa parte do time doente, não foi a dos sonhos: apenas empatamos em nossa arena com a Chapecoense. Mas logo encaixamos uma sequência de vitórias, incluindo clássicos na quarta e sexta rodadas, contra Santos e São Paulo. E ainda deu tempo de golear o Vasco por 5x2 entre uma partida e outra, na quinta rodada, quando a liderança isolada foi agarrada pelo Corinthians para ser mantida até o fim do campeonato.

O confronto mais aguardado do primeiro turno aconteceu pela 10ª rodada, quando o líder Corinthians visitou o vice-líder Grêmio, que seguia no nosso calcanhar e nos ultrapassaria caso fôssemos derrotados. Nesse dia, em uma partida corinthiana taticamente perfeita e na qual teve até pênalti defendido pelo goleiro Cássio, vencemos por 1x0, gol de Jadson, conquistando assim uma vitória mais do que importante para dar moral na sequência do campeonato.

Mas o divisor de águas, assim como havia acontecido no Campeonato Paulista, foi a partida contra o Palmeiras, pela 13ª rodada. Jogando na casa do adversário, o primeiro dérbi do século (já que o confronto havia completado 100 anos dois meses antes) foi um show alvinegro: 2x0, com destaque para o lateral Guilherme Arana, que sofreu o pênalti que originou o primeiro gol, convertido por Jadson, e fez o segundo, uma pintura. Nesse dia, o Allianz Arena virou Allianz Arana.

O resultado marcou recorde de aproveitamento no início de um Brasileirão em pontos corridos, superando o desempenho do próprio Corinthians de 2011. Chegamos a conquistar 90% dos pontos disputados, com 11 vitórias e apenas dois empates em 13 jogos.

Nessa reta inicial, o hepta já parecia mera questão de tempo. Consequentemente, o desespero tomou conta dos rivais, e houve até a "profecia" lançada pelo treinador gremista Renato Portaluppi de que "o Corinthians ia despencar no campeonato". Mas nem isso adiantou, pois nossa vantagem no topo só aumentava.

Encerramos o primeiro turno em um jogo histórico: vencemos o Sport por 3x1 em uma partida na qual cometemos apenas duas faltas. Sim, fizemos mais gols do que faltas naquele jogo.

O fim do primeiro turno ainda marcou mais recordes na história do Brasileirão em pontos corridos: fomos o primeiro time a chegar invicto à 17ª rodada (superando o Flamengo de 2011); a ficar 19 partidas invicto (superando o Atlético-PR de 2004 e o São Paulo de 2008); a terminar um turno invicto; e a ganhar o primeiro turno da competição por quatro vezes (como em todas as outras edições em que vencemos o Brasileirão em pontos corridos, ou seja, 2005, 2011 e 2015), o que nos garantiu mais um Troféu Osmar Santos, oferecido pelo Lance!. Alcançamos o melhor desempenho em um único turno (aproveitamento de 82,5%, com 14 vitórias e cinco empates), com 47 pontos somados, superando o segundo turno de 2016 do então recordista Palmeiras (a única equipe que conseguiu somar os mesmos 47 pontos em um turno havia sido o Cruzeiro de 2003, quando eram 24 as equipes participantes, ou seja, precisamos de quatro rodadas a menos pra alcançar a mesma pontuação).

Mas foi só virar o turno que o futebol do time caiu de rendimento. E muito.

Depois de cinco meses – exatos 152 dias – de invencibilidade, voltamos a perder uma partida, contra o Vitória. O resultado encerrou uma sequência de 34 jogos sem derrota, a segunda maior da nossa história (inferior apenas à alcançada em 1957, em 37 partidas). E aí virou festa para os adversários: nas 12 primeiras rodadas do returno, sofremos seis derrotas, quase todas para as equipes da parte inferior da tabela. E quando a vitória vinha, era no sufoco (ou com polêmica – que o diga o fatídico gol de braço de Jô na vitória sobre o Vasco por 1x0, que rende reclamações até hoje).

O momento era delicadíssimo. Fazíamos campanha de rebaixado e apresentávamos um recorde negativo: o pior desempenho no segundo turno de um time que havia vencido o primeiro. Muitos achavam que o campeonato mais ganho da história estava indo por água abaixo. Pra piorar, o rival Palmeiras crescia na competição e dava indícios de que entraria de vez na briga.

O alerta já estava ligado. Por isso, precisávamos de um jogo divisor de águas, e novamente coube ao clássico contra o Palmeiras fazer esse papel. Como de costume, a Fiel foi fundamental quando o time mais precisava dela: nossa torcida colocou 32 mil pessoas no treino que antecedeu o jogo, em uma demonstração de apoio daquelas que só acontecem com a gente, e 46 mil na partida. E como não poderia deixar de ser, o time correspondeu: entrou em campo com a faca entre os dentes e, por 3x2, venceu o terceiro dérbi do ano, praticamente colocando a mão na taça.

Nas partidas seguintes, teve até vitórias por 1x0 contra o Atlético-PR, com o primeiro gol do desacreditado Giovanni Augusto na temporada, e Avaí, com o primeiro gol do desacreditado Kazim no campeonato.

Até que chegou o jogo do título, em 15 de novembro, contra o Fluminense, pela 35ª rodada. Nesse dia, em nossa arena, tomamos um gol logo no primeiro minuto, mas, pela primeira vez na competição, conseguimos virar um jogo no qual saímos atrás: vencemos por 3x2, com dois gols do artilheiro Jô e um de Jadson. E a partida ainda foi marcada por mais um recorde: Danilo, voltando de uma lesão que o afastou dos gramados por mais de um ano, se tornou o jogador mais velho a entrar em campo com a camisa do Corinthians, com 38 anos, cinco meses e quatro dias. De quebra, entrou para a história como o segundo tricampeão brasileiro pelo clube, feito até então exclusivo do atacante Dinei.

Na partida seguinte que fizemos em casa, um 2x2 contra o Atlético-MG, recebemos a tão esperada taça, aguardada desde que o desempenho assombroso do primeiro turno sinalizou que o título podia sim ser uma realidade.

Com essa conquista, o Corinthians se sagrou o primeiro heptacampeão da história do Campeonato Brasileiro desde 1971 – ou o primeiro "hepta sem fax", conforme provocação endereçada aos rivais Palmeiras e Santos, que só passaram a possuir mais títulos após a unificação por parte da CBF dos torneios nacionais anteriores a 1971. O Timão também se tornou o maior vencedor do torneio em sua era de pontos corridos (formato adotado em 2003), com quatro conquistas, e pela segunda vez na história venceu o Campeonato Paulista e o Brasileiro no mesmo ano, sendo a outra ocasião o ano de 1999.

Mais recordes: nessa edição do Brasileirão, foram 34 rodadas na liderança, superando o Cruzeiro de 2013; e se somarmos todas as edições da competição desde o início da era dos pontos corridos, em 2003, Corinthians atingiu a marca de 110 rodadas na liderança, ultrapassando também o Cruzeiro, antigo recordista.

Mas também foram batidos recordes na esfera individual. Além das já citadas marcas atingidas pelo meia Danilo, o centroavante Jô se sagrou artilheiro da competição, primeira vez que um atleta do clube alcançou esse feito em um Campeonato Brasileiro. O atacante marcou 18 gols, número que até poderia ter sido mais alto se não fossem os seus gols bizarramente anulados contra Coritiba e Flamengo (especialmente este último, em que o auxilar marcou impedimento em um lance legal por incríveis três metros). Contra a equipe carioca, aliás, esse erro custou outro recorde: eles foram a única equipe que não conseguimos derrotar ao longo do campeonato.

Na seleção do campeonato do prêmio Bola de Prata ESPN, Fagner, Balbuena e Jô, além do técnico Fábio Carille, integram a equipe eleita. Jô ainda foi apontado como o melhor jogador do campeonato, recebendo a Bola de Ouro, e também foi premiado como artilheiro do campeonato, ao lado de Henrique Dourado, do Fluminense.

Já na premiação da CBF, além dos mesmos jogadores escolhidos pela ESPN, Guilherme Arana também integra a seleção do campeonato.


Time-base: Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo (Pedro Henrique) e Guilherme Arana (Moisés) (Marciel); Gabriel (Paulo Roberto), Maycon (Fellipe Bastos), Jadson (Clayson), Rodriguinho (Camacho) e Romero (Marquinhos Gabriel) (Pedrinho); Jô (Kazim). Técnico: Fábio Carille.

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